Manila, Filipinas – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva desembarca em Manila, capital das Filipinas, com o objetivo de pavimentar uma nova etapa na relação entre o Brasil e o Sudeste Asiático. A agenda, marcada para o dia 15 de novembro, coloca o chefe do Executivo brasileiro como convidado de honra na Cúpula da Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean).
O movimento diplomático não é aleatório. Em janeiro, o governo brasileiro submeteu formalmente um pedido para subir de categoria na estrutura do bloco: a intenção é passar de Parceiro de Diálogo Setorial para Parceiro de Diálogo. Trata-se do patamar máximo de engajamento permitido para nações externas. Caso o pleito seja aprovado, o Brasil passará a figurar em um grupo seleto que inclui potências como Japão, Estados Unidos, Canadá e Coreia do Sul.
A diplomacia brasileira interpreta o convite, que se repete pelo segundo ano consecutivo — a primeira ocasião foi na Malásia, em 2025 —, como um reconhecimento do peso estratégico do país. O gesto é reforçado por um privilégio raro: a expectativa de um pronunciamento de Lula logo na abertura do evento. Historicamente, essa tribuna é reservada exclusivamente ao mandatário do país que sedia o encontro.
Os números justificam o esforço. O intercâmbio comercial entre o Brasil e os membros da Asean — que engloba nações como Indonésia, Vietnã, Singapura, Tailândia e Filipinas — saltou de US$ 3 bilhões para US$ 38 bilhões entre 2003 e 2025. Esse crescimento médio anual de 12% sinaliza um mercado em expansão constante.
Antes de integrar a plenária da cúpula, Lula cumpre uma agenda bilateral intensa. No dia 14 de novembro, o presidente realiza uma visita de Estado às Filipinas, um passo que prepara as comemorações dos 80 anos de relações diplomáticas bilaterais, previstos para 2026. A pauta econômica com os filipinos é clara: ampliar a presença de produtos brasileiros como café, açaí, massas e biscoitos, setores que viram o comércio dobrar quatro vezes de volume desde 2016.
A logística da viagem exige fôlego. Lula parte de Antália, na Turquia, na noite de quinta-feira, dia 12, após encerrar sua participação na 31ª Conferência sobre Mudança do Clima (COP31). O trajeto até Manila demanda cerca de 14 horas de voo. Além da cúpula, o governo trabalha na confirmação de seis pedidos de reuniões bilaterais solicitadas por países integrantes do bloco. Uma entrevista coletiva deve ser organizada para balançar os resultados da missão, com detalhes ainda pendentes de definição na agenda.
