Osasco (SP) – A quadra de vôlei se transformou em palco de uma nova batalha jurídica e esportiva. Na sexta-feira, dia 14, a Confederação Brasileira de Vôlei (CBV) anunciou uma mudança radical em suas diretrizes de elegibilidade: a partir de agora, apenas atletas do sexo biológico feminino estão autorizadas a disputar os torneios femininos sob sua chancela. A decisão atinge diretamente a oposta Tifanny, que desde 2021 defende o Osasco São Cristóvão Saúde e se consolidou como um dos grandes nomes da equipe.
O clube paulista, atual campeão da temporada 2024/2025, reagiu prontamente. Em posicionamento oficial, a diretoria do Osasco declarou ter sido pega de surpresa pela resolução, alegando que a medida foi adotada de forma unilateral, sem qualquer diálogo prévio com a agremiação. O caso foi encaminhado ao departamento jurídico para análise detalhada da nova normativa, enquanto o clube reafirmou seu suporte irrestrito à atleta, que fez história em dezembro de 2017 ao se tornar a primeira mulher trans a atuar na Superliga.
Impacto imediato e as regras do jogo
Apesar do anúncio, os efeitos práticos da nova regra não serão imediatos em todas as frentes. A Federação Paulista de Volleyball (FPV) informou que, como o Campeonato Paulista já estava em andamento quando a política foi publicada, quaisquer providências só serão avaliadas para os próximos torneios. Com isso, Tifanny está liberada para entrar em quadra neste sábado, dia 15, às 21h30, no confronto de estreia do Osasco contra o Pinheiros, no Ginásio José Liberatti.
A nova política da CBV exige que as atletas apresentem resultado negativo para o gene SRY, um critério mais rígido que a norma anterior, que se baseava no controle dos níveis de testosterona sérica. A mudança busca alinhar o esporte nacional às diretrizes do Comitê Olímpico Internacional (COI) e da Federação Internacional de Voleibol (FIVB). As novas regras passam a valer para as próximas edições da Superliga (séries A e B), da Supercopa, da Copa Brasil e do Circuito Brasileiro de vôlei de praia a partir de 2027.
A discussão não é nova nos tribunais. Em fevereiro deste ano, a ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal (STF), concedeu uma liminar que garantiu a presença de Tifanny na Copa Brasil, realizada em Londrina, no Paraná. A própria CBV havia solicitado a liberação judicial após a Câmara Municipal da cidade aprovar um requerimento de urgência limitando a atuação de esportistas trans no município.
