Rio de Janeiro (RJ) – Oito mandados de busca e apreensão são cumpridos nesta manhã pela Polícia Federal no Rio de Janeiro e em Nova Iguaçu. A ofensiva, batizada de Operação Malebolge, mira uma organização criminosa suspeita de estruturar um sofisticado sistema de fraudes na emissão de inscrições no Cadastro de Pessoas Físicas (CPF).
As diligências se concentram, em grande parte, nos bairros de Jacarepaguá e na Cidade de Deus, situados na zona sudoeste da capital. Nessas regiões, os agentes buscam elementos que liguem os investigados a uma série de solicitações irregulares registradas em postos de atendimento autorizados pela Receita Federal.
O modus operandi do grupo, segundo as apurações, dependia de uma engrenagem interna. Suspeita-se que os envolvidos utilizassem documentos civis adulterados para solicitar novos registros no sistema da Receita. O detalhe que preocupa as autoridades é a possível colaboração direta de servidores dessas unidades credenciadas, que facilitariam a validação dos dados falsos diante do órgão federal.
A investigação criminal estabeleceu que, uma vez concluído o processo, os envolvidos ficam sujeitos a responder por crimes graves, incluindo a falsificação de documento público e corrupção ativa. A PF, contudo, não descarta a possibilidade de que novos ilícitos venham à tona à medida que o material apreendido hoje for periciado.
A escolha do nome para a operação carrega um tom literário. Malebolge é o termo usado por Dante Alighieri em A Divina Comédia para descrever o oitavo círculo do inferno, reservado especificamente àqueles que, em vida, dedicaram-se a corromper a fé pública e praticar fraudes. Uma referência direta, portanto, ao tipo de conduta que os policiais tentam estancar nas ruas do Rio de Janeiro.
