Brasília (DF) – O cenário epidemiológico da malária no Brasil atingiu, em 2025, o patamar mais controlado em 47 anos. Dados recentes apontam que o país contabilizou 118.037 registros da doença, uma queda de 15% frente ao ano anterior e o menor volume de casos desde 1978. A letalidade também recuou, com as mortes baixando de 56, em 2024, para 39 no ciclo seguinte. As manifestações graves da infecção seguiram a tendência, apresentando redução de 30,7%.
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, detalhou os resultados nesta segunda-feira (17), em Brasília, durante o 61º Congresso da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical (MedTrop). A estratégia central para essa mudança foi a introdução da tafenoquina no Sistema Único de Saúde (SUS). Disponível em dose única, o medicamento tem sido fundamental para evitar que a doença volte a se manifestar.
Desde a incorporação em 2023, o tratamento foi expandido. Até junho de 2026, mais de 33,7 mil pessoas haviam recebido a medicação, incluindo formulações pediátricas para crianças a partir de 2 anos, que começaram a ser aplicadas em março de 2026. Em territórios indígenas, o impacto foi notável: o DSEI Yanomami, pioneiro na aplicação do fármaco, viu as recaídas caírem 61,9% entre março e junho de 2026. A redução de casos na região chegou a 55% no acumulado de janeiro a julho, em comparação com o mesmo período do ano anterior.
O ministro destacou que o combate à malária entre os Yanomami foi potencializado por medidas conjuntas, que incluíram a recuperação nutricional da população local. Segundo o balanço, as áreas de assentamento rural e as regiões amazônicas observaram quedas superiores a 40% nas incidências. O Brasil consolidou-se como o primeiro país do mundo a adotar a tafenoquina na rede pública.
Reforço contra o sarampo
Além da malária, o Ministério da Saúde intensificou a mobilização contra o sarampo. A ofensiva ocorre após a identificação de 38 casos importados — com cepas vindas dos Estados Unidos e Canadá — em estados como São Paulo, Espírito Santo, Rio de Janeiro e Tocantins. Apesar da presença da doença, o país mantém o certificado de erradicação obtido em 2024.
Para conter o avanço e proteger o status sanitário, a imunização foi ampliada em cidades críticas como São Paulo, Guarulhos e São Bernardo. Nesses locais, a estratégia é vacinar toda a população entre 6 meses e 59 anos, independentemente do histórico vacinal anterior. Até o momento, apenas a capital paulista já soma mais de 70 mil doses aplicadas na atual campanha.
