Foz do Iguaçu (PR) – As matas e rios de Foz do Iguaçu, no Paraná, serviram de cenário para um intenso exercício de pronta resposta militar que chegou ao fim neste dia 21 de outubro. Reunindo cerca de 740 militares do Brasil e de outras cinco nações, a edição 2026 do Exercício Felino concluiu suas atividades voltadas para operações de paz e segurança internacional. A atividade conjunta, que ocorre de forma ininterrupta desde o ano 2000, simula situações reais de instabilidade geopolítica e conflitos armados no terreno.
A iniciativa, sob a coordenação direta do Ministério da Defesa, envolveu de forma integrada as três Forças Armadas brasileiras: Marinha, Exército e Aeronáutica. Entre os participantes, além do contingente de quase 700 brasileiros, estavam 38 militares representantes de nações parceiras que compõem a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP): Angola, Guiné Equatorial, Moçambique, Portugal e Timor-Leste.
Desafios simulados e ajuda humanitária
Os treinamentos em campo começaram no dia 10 de outubro e exigiram coordenação tática para responder a ameaças contemporâneas. Os militares enfrentaram desafios complexos que incluíram técnicas de desativação de artefatos explosivos, defesa contra ameaças químicas e proteção de populações civis. O cronograma também abordou novas tendências de conflitos armados internacionais, protocolos de assistência humanitária a refugiados e diretrizes rígidas de prevenção contra a exploração e o abuso sexual.
Para dar suporte às ações terrestres e fluviais, foi mobilizada uma robusta infraestrutura militar. A frota de apoio contou com 119 viaturas operacionais — distribuídas em 86 veículos do Exército, 22 da Marinha e 11 da Força Aérea —, além de oito embarcações fluviais da Marinha e duas aeronaves mantidas pela Força Aérea.
De acordo com o general Julio Cesar Belaguarda Nagy de Oliveira, oficial condutor das atividades, o Exercício Felino consolidou-se como um instrumento de cooperação internacional, preparação de contingentes e proteção social. O oficial também apontou que a dinâmica contribui para aperfeiçoar os militares nacionais que participam de missões internacionais sob a bandeira da Organização das Nações Unidas (ONU).
Atualmente, o país mantém 71 militares destacados em áreas de instabilidade pelo planeta, servindo em missões da ONU no Chipre, na Colômbia, no Líbano, na República Centro-Pacífica, na República Democrática do Congo, no Saara Ocidental, na Somália, no Sudão do Sul e na região de Abiey, fronteiriça entre o Sudão e o Sudão do Sul. Com o fim do ciclo de 2026 em solo paranaense, o planejamento já mira o futuro: o próximo Exercício Felino está agendado para ocorrer no Timor-Leste, em 2027.
