Brasília (DF) – A barreira alfandegária imposta recentemente pelos Estados Unidos ao mercado brasileiro motivou uma linha direta entre o Palácio do Planalto e a Casa Branca. Na manhã desta sexta-feira (21), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva conversou por uma hora e vinte minutos com o republicano Donald Trump. No centro do telefonema, classificado pela diplomacia brasileira como cordial, esteve a contestação direta às novas tarifas americanas, que Lula classificou como desprovidas de fundamento real.
Fricção comercial e tarifas
Os argumentos de Washington para taxar os produtos brasileiros envolvem acusações de desmatamento, propriedade intelectual, o sistema de pagamentos Pix, comércio de etanol e até alegações de trabalho forçado. Durante o telefonema, Lula ponderou que o protecionismo prejudica a economia de ambas as nações e que o entendimento mútuo continua sendo a melhor saída. Do outro lado, Trump sinalizou concordância sobre a importância de preservar o comércio bilateral e sugeriu que os canais diplomáticos de ambos os países organizem um encontro técnico em breve.
Asfixia financeira ao crime
A agenda de segurança pública também ocupou espaço no diálogo. O presidente brasileiro defendeu a cooperação mútua no combate às facções criminosas, diferenciando o terror cotidiano imposto por essas quadrilhas nas periferias do conceito clássico de terrorismo internacional. Lula aproveitou para expor a Trump a estrutura montada no país para estrangular as finanças do crime — um esforço que já resultou na apreensão de cerca de R$ 17 bilhões. O líder brasileiro mencionou a implementação da Lei Antifacção e o funcionamento do Centro de Cooperação Policial Internacional da Amazônia, sediado em Manaus. Como resposta, Trump prometeu designar funcionários de alto escalão para avançar nas tratativas bilaterais.
Geopolítica e o papel da ONU
Na geopolítica, os mandatários repassaram as crises que redesenham o mapa global, com foco na guerra entre Rússia e Ucrânia, que já se estende por quase cinco anos. Enquanto Trump compartilhou as perspectivas americanas em relação ao Irã, Lula criticou a paralisia do Conselho de Segurança da ONU diante dos conflitos armados e sugeriu uma reunião extraordinária do órgão para buscar saídas diplomáticas. Segundo o líder brasileiro, a grandeza de um governante se mede pela capacidade de encerrar conflitos, não de iniciá-los.
