Rio de Janeiro (RJ) – O rastro de destruição deixado pelo roubo de fiação elétrica no Rio de Janeiro gerou um prejuízo de mais de R$ 69 milhões aos cofres públicos municipais nos últimos cinco anos, entre 2021 e 2025. Diante desse cenário de perdas constantes, as forças de segurança do estado e a prefeitura da capital decidiram mudar de estratégia, mirando diretamente na estrutura financeira que sustenta o crime: os ferros-velhos.
A ofensiva ganhou corpo com a criação do Núcleo Integrado de Combate a Furtos e Receptação de Cabos e Fiação de Cobre. A proposta desse novo grupo de trabalho é asfixiar toda a cadeia ilegal, que começa no furto de rua, passa pelo transporte e armazenamento da mercadoria e termina na receptação e venda final do metal precioso para a indústria clandestina.
Uma das medidas mais duras previstas no plano é a desapropriação sumária dos terrenos onde funcionam os ferros-velhos clandestinos ou envolvidos com o crime. Em vez de depósitos de materiais roubados, a prefeitura planeja revitalizar essas áreas desocupadas, devolvendo o espaço aos cidadãos na forma de praças públicas e parques urbanos.
Paralelamente ao cerco aos receptadores, uma mudança técnica começou a ser executada na quarta-feira (02). Equipes de manutenção deram início à substituição gradual do cobre por materiais alternativos e sem qualquer valor de revenda no mercado negro. A troca atinge diretamente a fiação de semáforos, placas de sinalização, postes públicos e redes elétricas de toda a capital fluminense, na tentativa de esvaziar o interesse econômico dos criminosos.
Para garantir a eficiência das ações, o novo núcleo funcionará como uma central de inteligência unificada. O órgão vai cruzar informações em tempo real de batalhões de polícia, delegacias, secretarias municipais e das próprias concessionárias de serviços públicos, que costumam ser as primeiras afetadas pelas interrupções de sinal e energia.
Esse cruzamento de dados permitirá traçar mapas de calor com os horários mais frequentes das ocorrências, identificar os padrões de atuação das quadrilhas e mapear detalhadamente os estabelecimentos comerciais suspeitos de alimentar o esquema. Com essas informações em mãos, as equipes de fiscalização e a polícia poderão realizar operações cirúrgicas e mais eficientes nas ruas do Rio.
