São Paulo (SP) – O policial militar Vinícius Costa Silva segue detido no Presídio Militar Romão Gomes, na capital paulista, após a audiência de custódia realizada nesta terça-feira (8). Ele é apontado como o principal suspeito pela morte de sua esposa, Larissa da Cruz Morata, de 29 anos. A prisão temporária do agente foi decretada na tarde de segunda-feira (7), quando as autoridades identificaram elementos que contradizem a versão inicial apresentada pelo marido.
O corpo de Larissa, que trabalhava como técnica de radiologia, foi localizado na residência do casal no último domingo (6). Ela apresentava um ferimento provocado por disparo de arma de fogo na região da cabeça. Na ocasião, Vinícius alegou aos policiais que teria despertado e encontrado a mulher já sem vida. O filho do casal, de apenas dois anos, estava no imóvel no momento do ocorrido.
As investigações conduzidas pela Polícia Civil tratam o episódio como um caso de morte suspeita. Peritos trabalham agora com o cruzamento de dados fundamentais: o resultado de exames residuográficos feitos nas mãos de ambos, a análise balística da arma apreendida no local e o laudo pericial da cena do crime.
O pai da vítima, Edson Morata, relatou que a filha planejava encerrar o relacionamento. Segundo ele, poucos instantes antes de ser encontrada morta, Larissa teria confidenciado à avó a decisão de se separar. O depoimento familiar descreve um cenário de controle excessivo por parte do marido, que teria forçado a esposa a abandonar sua carreira na área de radiologia.
Em contrapartida, a defesa de Vinícius sustenta uma tese distinta. Os advogados do PM entregaram à Polícia Civil registros de áudios e mensagens que teriam sido enviados por Larissa à irmã do acusado, Thamires. De acordo com os defensores, o conteúdo revelaria um quadro de sofrimento emocional profundo e intenções de a própria vítima atentar contra a sua vida. A defesa reforça, ainda, que a irmã de Vinícius encontrava-se na casa no momento dos fatos e já forneceu seu depoimento às autoridades.
O episódio ocorre em um ano marcado por números preocupantes de violência contra a mulher. Entre janeiro e julho deste ano, o Brasil contabilizou 848 casos de feminicídio. Sob a legislação brasileira, o assassinato de mulheres motivado pela condição de gênero é classificado como crime hediondo, com penas que variam de 20 a 40 anos de reclusão.
Casos de violência doméstica podem ser denunciados por meio da Central de Atendimento à Mulher, no número 180. Em situações de perigo imediato, a recomendação é contatar a Polícia Militar pelo 190.
