Santo Estêvão (BA) – O rastro financeiro de uma organização criminosa voltada ao comércio ilegal de armamento levou a Polícia Civil da Bahia ao bloqueio de R$ 38 milhões em bens e contas bancárias. A cifra bilionária, descoberta nesta terça-feira, é o ápice de uma ofensiva que mirou as engrenagens de um grupo com atuação estruturada entre o Rio de Janeiro e o território baiano.
As buscas concentraram-se em três pontos estratégicos: Santo Estêvão e Feira de Santana, no interior da Bahia, e a capital sergipana, Aracaju. Equipes do Draco — Departamento de Repressão e Combate à Corrupção, ao Crime Organizado e à Lavagem de Dinheiro — executaram 16 mandados judiciais simultâneos.
O fluxo de armas, segundo as investigações, tinha o Rio de Janeiro como centro de comando e origem do material clandestino. A partir da capital fluminense, a liderança do esquema orquestrava tanto o envio do arsenal quanto a movimentação do dinheiro obtido com as vendas. Havia uma clara divisão de tarefas entre os integrantes, desenhada para dificultar o rastreamento pelas autoridades.
O balanço da operação nesta terça-feira inclui, além dos milhões bloqueados, uma série de itens que devem ser cruciais para a continuidade do inquérito. Entre o material apreendido pelos investigadores estão notebooks, farta documentação contábil e cerca de 150 cartões bancários. Veículos também foram confiscados, compondo o cenário de desarticulação do braço financeiro do grupo.
O que resta agora é decifrar o emaranhado de transações. O foco da polícia, neste momento, é usar os dados dos dispositivos eletrônicos e dos papéis recolhidos para mapear a rede completa de contatos. Os agentes buscam desenhar a rota exata de transporte, os pontos de distribuição das armas e, sobretudo, identificar outros cúmplices que ainda operam sob o radar.
A investigação não encerra aqui. A expectativa é que o cruzamento dessas informações permita não apenas confirmar a participação de cada suspeito, mas também entender como o capital ilícito era lavado e reintegrado ao mercado formal. Por enquanto, o golpe nas finanças dos envolvidos representa a principal resposta à estrutura criminosa desmantelada.
