Brasília (DF) – O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), protocolou nesta sexta-feira (11) um ofício endereçado ao presidente da Corte, Edson Fachin. O documento contesta a postura do colega André Mendonça, relator do caso envolvendo o antigo Banco Master, sob a acusação de manter uma “escolha seletiva” na liberação de sigilos da Operação Compliance Zero.
A investigação mira suspeitas de corrupção envolvendo agentes públicos e fraudes financeiras na casa dos bilhões, atribuídas ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Na noite de quinta-feira (10), Mendonça havia retirado o segredo de 15 procedimentos da causa, uma decisão tomada após pressão formal de Fachin diante do agravamento de uma crise interna no tribunal. O presidente do STF solicitara a abertura integral dos autos, ressalvando apenas diligências que demandassem proteção absoluta.
Para Moraes, no entanto, a transparência foi parcial. Ele sustenta que 180 documentos permanecem sob sigilo por conta de um critério meramente “subjetivo”, o que prejudicaria a análise das provas pelos demais integrantes da Corte. No requerimento, Moraes exige o levantamento total de qualquer restrição à PET 15.556, sem exceções. Ele também requisitou que a Diretoria de TI da Corte certifique o volume real de procedimentos existentes, visando assegurar a isonomia e o devido processo legal.
Entre os pontos mantidos sob segredo por Mendonça, estão detalhes sobre o repasse de R$ 61 milhões que seriam destinados à produção do filme Dark Horse, cinebiografia de Jair Bolsonaro, além de apurações que conectam o senador Jaques Wagner (PT-BA) ao advogado Augusto Ferreira Lima, ex-sócio de Vorcaro.
O embate ganha contornos de julgamento na próxima terça-feira (15). Moraes quer que o pedido de investigação que move contra Mendonça entre na pauta do plenário. Fachin, até o momento, pautou apenas uma representação de Mendonça contra Moraes, baseada em mensagens onde o nome do ministro aparece como interlocutor de Vorcaro. Moraes argumenta que as duas demandas possuem conexão direta e precisam ser analisadas conjuntamente para evitar decisões contraditórias ou instabilidade processual.
A tensão tem raízes na última semana, quando Moraes enviou a Fachin um relatório de inteligência — sem timbre oficial ou assinatura — que sugere suposto direcionamento político por parte de Mendonça no caso. A reação de Moraes ocorreu após a publicidade de mensagens atribuídas a Vorcaro, nas quais o ex-banqueiro menciona proximidade com o ministro e envia detalhes sobre um contrato de R$ 131 milhões entre o Master e o escritório de Viviane Barci de Moraes, esposa do magistrado.
Em outra frente das investigações, o conteúdo sugere que Vorcaro teria tentado obter informações privilegiadas sobre ações da Polícia Federal. As respostas de Moraes não foram recuperadas pelos investigadores e o ministro nega veementemente qualquer contato com o ex-banqueiro.
