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TH Joias vira réu por elo com facção e será levado para presídio federal
Justiça

TH Joias vira réu por elo com facção e será levado para presídio federal

Última atualização: 12 de Setembro, 2026 12:42
Por
Erre Soares
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4 Min Leia
📷 Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro/Divulgação
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Rio de Janeiro (RJ) – A denúncia do Ministério Público Federal contra o ex-deputado estadual Thiago Raimundo de Oliveira Santos, o “TH Joias”, foi aceita pela Justiça Federal, transformando o ex-parlamentar fluminense em réu sob a acusação de atuar como elo político do Comando Vermelho. Além de responder formalmente pelas suspeitas, ele teve sua transferência determinada para uma penitenciária federal.

A acusação é desdobramento da Operação Zargun, deflagrada em setembro de 2025. Na ocasião, o político exercia mandato como suplente na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj). Com a sua prisão, o titular da vaga retomou a cadeira e o investigado perdeu o foro por prerrogativa de função.

A decisão do Tribunal Regional Federal da 2ª Região, relatada pelo desembargador federal Flávio Oliveira Lucas, manteve a prisão preventiva da maior parte dos envolvidos. O grupo de novos réus inclui Gabriel Dias de Oliveira, o “Índio”, e Luciano Martiniano da Silva, o “Pezão” — este apontado como liderança do Complexo do Alemão e atualmente foragido. O empresário Luiz Eduardo Cunha Gonçalves, conhecido como “Dudu”, e Alessandro Pitombeira Carracena, ex-secretário estadual de Esportes e ex-assessor comissionado na Alerj, também foram denunciados e respondem ao processo presos.

A única flexibilização de custódia concedida pelo tribunal foi para Gustavo Stteel. O delegado de Polícia Federal obteve o direito à prisão domiciliar com monitoramento eletrônico, restrição de atividades e o imediato afastamento de suas funções na corporação.

A engrenagem do esquema

O rol de crimes imputados aos réus abrange organização criminosa, tráfico internacional de drogas e armas de fogo, associação para o tráfico e corrupção ativa e passiva. Conforme a denúncia do Ministério Público Federal, o ex-parlamentar usava a estrutura de seu gabinete na Alerj para acomodar pessoas indicadas pela facção e intermediar negociações que envolviam a compra de armas, drogas e até sistemas antidrones. O grupo mantinha conexões diretas com o Paraguai para abastecer o mercado de armas do Rio de Janeiro.

O papel dos servidores públicos na rede de apoio era estratégico. De acordo com as investigações, Carracena valia-se de seu trânsito político para vazar relatórios policiais confidenciais em troca de propina. Na outra ponta, o delegado federal Gustavo Stteel repassava informações sigilosas e tentava blindar as lideranças da facção de ações policiais. Como contrapartida, pedia vantagens que incluíam a nomeação de sua companheira para cargos públicos.

Impacto na cúpula fluminense

Os reflexos da Operação Zargun abalaram as estruturas do poder político no Rio de Janeiro. Três meses após a prisão de TH Joias, a Operação Unha e Carne prendeu o então presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar (União). A suspeita era de que Bacellar teria alertado o ex-deputado sobre a iminência da operação policial.

Embora Bacellar tenha sido libertado cinco dias depois por uma resolução da própria Alerj, amparada pela imunidade constitucional, ele acabou pedindo licença do cargo. O parlamentar, que havia ocupado o governo fluminense interinamente e despontava como pré-candidato ao governo estadual para o pleito de outubro de 2026, viu seu capital político ruir. Diante de sua saída da presidência do Legislativo estadual, o governo do Rio passou a ser exercido de forma interina pelo presidente do Tribunal de Justiça, Ricardo Couto de Castro.

MARCADOAlerjComando VermelhoOperação ZargunRio de JaneiroTH Joias
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