Nova York, Estados Unidos – O Palácio Itamaraty confirmou os detalhes da próxima missão internacional do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que desembarca em Nova York no domingo (20) para participar da 81ª Assembleia Geral das Nações Unidas. Entre as movimentações diplomáticas, uma agenda chama a atenção: o pedido de encontro bilateral feito pelo prefeito da metrópole, Zohran Mamdani. O gestor, que assumiu o posto no início deste ano como o primeiro muçulmano a chefiar a cidade, defende pautas como moradia acessível, congelamento de aluguéis e gratuidade no transporte público. Apesar da solicitação ter sido registrada, o governo brasileiro ainda não deu confirmação oficial à reunião.
A maratona oficial começa na segunda-feira (21), com o presidente dedicado a conversas reservadas com outros chefes de Estado. O ponto alto ocorre na terça-feira (22). Pela manhã, Lula se reúne com o secretário-geral da ONU, António Guterres, antes de subir ao plenário para o tradicional discurso de abertura do Brasil. Sob o tema “Restaurando a confiança, administrando transformações: uma ONU que produza resultados para todos”, a fala de Lula deve insistir na reforma das instituições multilaterais, no combate à fome e na necessidade de negociações para encerrar conflitos armados vigentes. Segundo o embaixador Carlos Márcio Bicalho Cozendey, a mensagem central é a defesa do direito internacional humanitário diante de um cenário global de instabilidade crescente.
Sobre um possível tête-à-tête com o presidente dos Estados Unidos, o Itamaraty mantém silêncio absoluto. Embora ambos ocupem o palco principal na mesma sequência — Lula abre a sessão e o americano fala logo em seguida —, não há qualquer acerto de agenda. Em 2023, um encontro fortuito nos bastidores, descrito à época como de “química excelente”, gerou repercussão. Desde então, eles já se cruzaram em três oportunidades.
A comitiva que acompanha o presidente brasileiro é composta pelo chanceler Mauro Vieira e pelos ministros Esther Dweck, da Gestão e Inovação; Eloy Terena, dos Povos Indígenas; e Rachel Barros de Oliveira, da Igualdade Racial. Enquanto o chefe do Executivo cumpre os compromissos presidenciais, o ministro das Relações Exteriores aproveitará a estadia para presidir um encontro da Aliança Global contra a Fome e a Pobreza. O projeto, lançado pelo Brasil durante a presidência do G20 em 2024, já articula mais de 215 membros, incluindo uma centena de nações comprometidas em enfrentar a miséria em escala global. O retorno de Lula ao Brasil está programado para a própria terça-feira, logo após o encerramento de sua fala no plenário.
