Brasília (DF) – O Conselho Superior do Ministério Público Federal (CSMPF) decidiu nesta sexta-feira (25) encerrar qualquer possibilidade de apuração administrativa ou criminal contra o procurador-geral da República, Paulo Gonet. O placar apertado, de 5 a 4, reflete uma divisão interna sobre a conduta do chefe do órgão diante de citações de seu nome em materiais apreendidos pela Polícia Federal.
A origem da polêmica reside no celular de Daniel Vorcaro, ex-banqueiro do Banco Master, atualmente detido. O Partido Novo protocolou uma representação exigindo que o procurador fosse investigado por prevaricação e removido da gestão dos processos que apuram irregularidades na instituição financeira. No entanto, os conselheiros optaram por blindar a permanência de Gonet nos casos, alcançando unanimidade de 9 a 0 ao rejeitar o pedido de afastamento do cargo.
A sessão foi marcada por divergências fundamentais. Francisco Sanseverino, relator do caso, liderou o grupo que votou contra a abertura do procedimento, acompanhado por Celso Albuquerque, Alexandre Camanho, Hidenbugo Chateaubriand e Nicolau Dino. Chateaubriand foi enfático ao argumentar que a ausência de registro na agenda telefônica e a inexistência de laços de proximidade descartam a tese de amizade íntima com Vorcaro. Para o subprocurador, qualquer medida de afastamento dependeria exclusivamente de uma determinação judicial.
Em contrapartida, a ala dissidente, composta pelos subprocuradores Janice Ascari, Samantha Chantal Dobrowolski, José Adonis e Ana Borges Santos, defendeu a investigação. Ana Borges foi a voz mais crítica, classificando as apurações sobre o Banco Master como um grave escândalo no setor financeiro. Ela questionou a legalidade de o procurador-geral ter solicitado ao Supremo Tribunal Federal a anulação de um relatório da Polícia Federal que mencionava seu próprio nome, sustentando que haveria dolo específico para uma investigação criminal.
As suspeitas ganharam corpo após o ministro do STF, André Mendonça, derrubar o sigilo de documentos que continham diálogos entre o ex-banqueiro e interlocutores, incluindo um número atribuído ao ministro Alexandre de Moraes. Em 15 de novembro de 2023, dias antes de sua prisão, Vorcaro questionou em tom de preocupação se não haveria possibilidade de reverter o avanço da Polícia Federal por meio de Gonet ou de Andrei Rodrigues, diretor-geral da corporação.
Até o momento, não foram apresentadas evidências de que qualquer um dos citados tenha operado interferência direta nos inquéritos. A polêmica ganhou novos contornos na semana passada, quando uma fotografia de Gonet ao lado de Vorcaro em um evento jurídico em Londres, ocorrido em abril de 2024, circulou publicamente. O procurador-geral reiterou, em sua defesa, que o encontro não passou de uma interação curta e irrelevante, refutando qualquer proximidade com o ex-banqueiro investigado.
