Brasília (DF) – O cenário de tensão que levou representações diplomáticas a restringirem suas atividades em Brasília na última sexta-feira, dia 2, não se sustenta em evidências de perigo real. Segundo Andrei Rodrigues, diretor-geral da Polícia Federal, as investigações conduzidas pela corporação não confirmaram qualquer intenção de atentado contra sedes diplomáticas instaladas na capital federal.
A mobilização policial foi desencadeada por alertas recebidos pela própria Embaixada dos Estados Unidos. Em resposta, agentes executaram dois mandados de busca e apreensão, concentrados em endereços em São Paulo e nas imediações do Distrito Federal. De acordo com o diretor, o trabalho de inteligência, que corre sob sigilo, serviu justamente para checar a procedência dessas informações e descartar riscos iminentes.
O episódio ganhou contornos internacionais quando, além dos norte-americanos, a Embaixada da Austrália suspendeu seus serviços consulares presencialmente pelo país. O governo australiano, que mantém com os Estados Unidos a rede de inteligência Five Eyes, chegou a mencionar o temor de terrorismo em um comunicado divulgado momentos antes do primeiro turno das eleições brasileiras. Questionado sobre a disparidade entre o alerta e o resultado da investigação, o diretor foi direto: não foi possível comprovar qualquer ameaça concreta contra qualquer representação estrangeira no território nacional.
Enquanto a PF tranquiliza o setor diplomático, o balanço das atividades eleitorais aponta um ritmo de trabalho intenso em diversos estados. Até as 12h30 deste domingo, a corporação contabilizava a abertura de seis inquéritos e a lavratura de 18 termos circunstanciados de ocorrência. O foco das apurações recai principalmente sobre a propaganda irregular e o crime de corrupção eleitoral, com foco na compra de votos.
O mapa da incidência desses delitos estende-se por uma vasta parte do território nacional, incluindo Bahia, Rio de Janeiro, Alagoas, Espírito Santo, Pernambuco, Minas Gerais, Sergipe, Roraima, Acre, Distrito Federal, Rondônia, Amapá, Maranhão, Amazonas, Mato Grosso, Rio Grande do Sul, São Paulo e Paraíba. Até o início da tarde de hoje, 59 pessoas haviam sido conduzidas às delegacias.
O montante apreendido em bens e valores totaliza R$ 789.828,50, sendo que R$ 383.627,50 estavam em espécie. A cúpula da Polícia Federal mantém cautela quanto a esses números, ressaltando que os dados são parciais. O fechamento final do balanço ainda depende de uma etapa de validação técnica sobre o que foi confiscado durante as operações de fiscalização do pleito.
