Rio de Janeiro (RJ) – O cenário das eleições de 2026 desenhou um perfil demográfico distinto do observado há quatro anos. Embora a expectativa fosse de uma mobilização robusta, o contingente de eleitores entre 16 e 18 anos — faixa em que o voto é facultativo — totalizou 3,5 milhões de pessoas. O número, embora expressivo, aponta um recuo em relação aos 4,1 milhões que compareceram às urnas em 2022.
Essa mudança reflete a nova configuração da pirâmide etária brasileira. Hoje, o peso do eleitorado recai sobre a faixa dos 40 aos 49 anos, enquanto os adolescentes somam 2,25% do total de 158 milhões de cidadãos aptos a votar. Regionalmente, o Nordeste lidera o interesse dessa fatia jovem, com 1,3 milhão de votantes, seguido pelo Sudeste, com 1 milhão, e pelo Norte, com 478 mil.
Para Luiza Rocha Guerreiro, 17, a motivação para comparecer à seção eleitoral no Largo do Machado, na Zona Sul do Rio de Janeiro, foi o desejo de não delegar a terceiros a responsabilidade pelo seu próprio futuro. Com a “cola” em mãos, a estudante buscou informações diretamente no site do Tribunal Superior Eleitoral. Ela confessa ter evitado as redes sociais para fugir das opiniões polarizadas, preferindo o caminho da consulta direta às propostas oficiais.
O processo de escolha, no entanto, variou conforme a rotina de cada jovem. Caio de Moraes, também de 17 anos, relatou um exercício de reflexão individual. Ele observou as propostas com antecedência, o que, segundo ele, tornou o voto para cargos majoritários, como presidente e governador, um passo mais simples e direto.
Já a realidade de Esthefany Marques Guimarães, de 18 anos, foi ditada pelo ritmo exaustivo do trabalho. Como entregadora da plataforma iFood, a jovem admitiu que o tempo escasso dificultou o aprofundamento nas plataformas de cada postulante. Para garantir sua participação no pleito, ela optou pela confiança na experiência familiar: seguiu a indicação da mãe, que já possui o hábito consolidado de votar.
A participação desse público, garantida pelo marco da redemocratização e pela Constituição Federal de 1988, segue como um termômetro da integração política das novas gerações. Mesmo diante de oscilações demográficas e das pressões do cotidiano, a urna continua sendo o destino de milhões que, antes de atingirem a maioridade, decidem exercer a prerrogativa de escolha sobre os rumos do país.
