Brasília (DF) – O cenário eleitoral desta quarta-feira, 14, desenhou as apostas de Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro para a reta final do segundo turno. Enquanto o petista direcionou seus esforços a uma articulação estratégica com o segmento evangélico, o candidato do PL desembarcou na capital gaúcha para reforçar sua base e apresentar propostas de segurança pública.
Em um movimento para reduzir a resistência em um de seus nichos mais desafiadores, Lula tornou pública uma carta elaborada pela Frente de Evangélicos pelo Estado de Direito. No documento, o candidato recorre a uma retórica de fé, mencionando ter exercido seus três mandatos sob “proteção divina”. O texto busca confrontar a narrativa do adversário, criticando o que chamou de “discursos vazios” e enumerando medidas como o combate às apostas online — as chamadas bets —, a defesa da escala de trabalho 5×2, discutida nesta mesma data no Senado, e o enfrentamento à violência contra as mulheres.
Lula aproveitou o espaço para reforçar marcos de seus governos anteriores, como a instituição do Dia Nacional do Evangélico e da Marcha para Jesus, tentando consolidar uma imagem de diálogo histórico com o segmento. Já no período da noite, o petista acompanhou à distância o desdobramento da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que visa encerrar a escala 6×1, uma bandeira que ele sustenta publicamente há meses.
A centenas de quilômetros de distância, Flávio Bolsonaro cumpriu agenda em Porto Alegre. O dia do candidato começou com uma sinalização definitiva sobre o debate na TV Bandeirantes, marcado para o próximo domingo, 18. Após idas e vindas sobre sua presença, o representante do PL confirmou que participará do confronto televisivo, endereçando um recado direto ao seu oponente.
Em solo gaúcho, o foco de Flávio foi o bairro Sarandi, na zona norte, severamente afetado pelas enchentes de 2024. Ele prometeu obras de reconstrução caso eleito e afirmou que pretende retornar à região acompanhado de seu pai, Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar sob condenação por tentativa de golpe de Estado. O candidato classificou a assistência atual ao estado como insuficiente, declarando que a região foi deixada de lado pelo governo central — embora dados oficiais de 2025 indiquem que o Planalto destinou R$ 111,6 bilhões em investimentos para o processo de recuperação do Rio Grande do Sul.
A pauta de segurança pública também ocupou o discurso de Flávio no centro da capital. Ao se dirigir a apoiadores, ele adotou um tom incisivo contra a criminalidade. Prometeu classificar traficantes de drogas como narcoterroristas e defendeu uma atuação estatal rígida sob o pretexto de proteger os chamados “cidadãos ordeiros” a partir de janeiro do próximo ano.
