Brasília (DF) – O Palácio do Planalto e as estratégias digitais da campanha de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) chegaram ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) nesta quarta-feira (21). O objetivo é claro: a coligação busca a cassação do registro da candidatura de Flávio Bolsonaro (PL), que concorre ao lado de Alfredo Gaspar (PL), sob a acusação de abuso de poder econômico e uso indevido dos meios de comunicação.
A argumentação da defesa sustenta que houve um tratamento assimétrico por parte da Meta, gigante por trás do Facebook e Instagram. Os advogados do petista afirmam que postagens favoráveis a Flávio Bolsonaro receberam um impulsionamento direcionado, enquanto conteúdos vinculados a Lula enfrentaram restrições severas por parte das plataformas.
O cerne da disputa, porém, reside na tecnologia. Segundo a denúncia, ferramentas de inteligência artificial foram aplicadas de forma desproporcional. A campanha alega que as mesmas ferramentas que impediam a geração de imagens de Lula funcionavam normalmente quando o objetivo era produzir conteúdo sobre Flávio Bolsonaro. Seria um favorecimento algorítmico?
Do outro lado da mesa, a empresa citada rechaça qualquer acusação de preferência partidária. A Meta sustenta que não há, e nunca houve, qualquer política voltada a beneficiar uma candidatura em detrimento de outra — uma posição que a empresa costuma reiterar diante de questionamentos sobre suas políticas de moderação.
O caso agora tramita sob a responsabilidade do ministro Ricardo Villas Bôas Cueva. Cabe ao magistrado analisar a robustez das provas apresentadas pela coligação de Lula e decidir os próximos passos processuais. Não há, até o momento, qualquer previsão de quando uma decisão monocrática pode ser proferida, deixando a chapa de Flávio Bolsonaro sob um crescente escrutínio jurídico até que a Corte se manifeste.
