O cerco econômico e a pressão diplomática sobre Havana atingiram um ponto crítico que coloca a ilha em alerta máximo contra uma possível intervenção militar de Washington. Segundo o embaixador cubano no Brasil, Victor Manuel Cairo Palomo, o risco de uma incursão das forças dos Estados Unidos sob a gestão de Donald Trump é concreto, o que tem levado o país a preparar a população para resistir em defesa da soberania nacional.
A escalada de medidas punitivas se intensificou desde janeiro de 2025, quando a Casa Branca classificou a nação caribenha como uma “ameaça incomum e extraordinária”, acusando-a de abrigar opositores para espionar dados sensíveis da inteligência estadunidense. O sufocamento se desdobrou em um severo bloqueio energético que deixou o território cubano sem receber nenhum barril de petróleo por três meses, além da debandada de redes hoteleiras estrangeiras, redução de voos internacionais e suspensão dos serviços da empresa de cartões Visa, afetando em cheio o turismo local.
Ameaças públicas e escalada diplomática
A retórica vinda da Casa Branca e do Departamento de Estado reforça o clima de tensão. Em março deste ano, Trump afirmou que seria uma “honra de tomar Cuba”. Mais tarde, em outubro, indicou que cuidaria do impasse insular logo após desdobramentos no Irã — alvo de investidas americanas e israelenses em um conflito que se arrasta desde fevereiro. Embora o presidente republicano também tenha acenado para um eventual acordo sem uso direto das Forças Armadas, a postura ofensiva é endossada pelo secretário de Estado Marco Rubio, filho de família cubana, que declarou em setembro o compromisso de aplicar medidas para forçar um processo de transição política.
Para o diplomata Victor Manuel Cairo Palomo, rotular a ilha como ameaça à maior potência mundial é uma acusação ridícula. O representante de Havana alerta que qualquer ação armada promovida por uma potência nuclear contra um pequeno país vizinho, situado a apenas 90 milhas de distância, configuraria um genocídio. Além disso, uma guerra nas fronteiras caribenhas desestabilizaria toda a região e poderia mobilizar a expressiva comunidade de cubanos que vive em solo americano contra o próprio governo Trump.
A ofensiva de Washington ganhou novos contornos recentes com a imposição de restrições a companhias de tecnologias sensíveis ligadas ao país e a inédita ordem da Justiça dos Estados Unidos que decretou, neste mês, a prisão do ex-presidente Raúl Castro. Diante desse cenário, o diplomata defende que, apesar dos problemas econômicos enfrentados pelos cubanos, cabe unicamente à população local definir o próprio destino, sem a interferência de uma agressão militar externa.
