São Paulo (SP) – O mercado financeiro brasileiro iniciou o mês de novembro sob forte pressão, reflexo de uma desconfiança que se instalou desde a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva em 25 de outubro. Nesta terça-feira (3), o dólar comercial encerrou o dia em alta de 0,74%, cotado a R$ 5,486, após tocar brevemente o patamar de R$ 5,50 por volta das 13h50. Enquanto isso, a bolsa de valores manteve sua trajetória descendente, registrando o sexto pregão consecutivo de perdas.
O Ibovespa fechou o dia em baixa de 1,42%, aos 165.528,92 pontos. O cenário foi ainda mais tenso durante a manhã, quando o índice chegou a furar o piso dos 165 mil pontos, atingindo a mínima de 164.446,53 pontos às 11h23. O contraste com o período pré-eleitoral é notável: antes da definição das urnas, o indicador operava acima dos 205 mil pontos.
A tensão que domina o pregão tem raízes na política fiscal. Investidores monitoram com lupa as declarações sobre as contas públicas e possíveis alterações na condução econômica do governo. Para tentar apaziguar os ânimos, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou pela manhã que as propostas do economista André Lara Resende — que sugeriam mudanças no regime monetário — não estão na mesa e padecem de deficiências. Durigan reiterou, em contrapartida, que a gestão prioriza um ajuste fiscal gradual.
Além do ruído doméstico, o foco do mercado está voltado para quarta-feira (4), dia da decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) sobre a taxa Selic. Atualmente em 13,75% ao ano, os juros básicos são o centro do debate diante da deterioração das expectativas inflacionárias. O Boletim Focus desta terça trouxe números que preocupam: a projeção para a inflação em 2027 saltou de 4,34% para 4,76%, superando o teto da meta. Em paralelo, a estimativa para a Selic no fechamento do próximo ano foi revisada para cima, indo de 11,75% para 12,50%.
O ambiente externo também não ofereceu trégua aos ativos brasileiros. O índice DXY, que compara o dólar a uma cesta de moedas fortes, apresentava alta de 0,13%, alcançando 101,850 pontos no fim da tarde. As ações de peso no Ibovespa, como Petrobras e Vale, sentiram o baque dos ajustes nos preços das commodities após o feriado de Finados, aumentando a pressão sobre o índice local.
Enquanto as bolsas americanas ensaiavam uma recuperação no setor de tecnologia, a B3 seguiu isolada em suas preocupações internas. O desfecho da reunião do Banco Central e o tom do comunicado oficial que virá na sequência deverão ser o próximo termômetro para definir se o mercado encontrará um novo equilíbrio ou se a volatilidade deve perdurar nos próximos dias.
