Brasília (DF) – O parque fabril do país registrou em setembro um tombo de 0,8% em comparação a agosto, consolidando um cenário preocupante. Este é o quarto resultado negativo no intervalo de apenas cinco meses, um sinal de alerta sobre a vitalidade da economia doméstica.
A Pesquisa Industrial Mensal revelou que os números vieram aquém das expectativas de analistas, que projetavam uma queda mais contida, na casa dos 0,4%. Nos últimos cinco meses, o setor perdeu 4,1%, anulando praticamente todo o crescimento de 4,2% que havia sido registrado entre janeiro e abril deste ano. Embora o acumulado de 12 meses ainda sustente uma alta discreta de 0,2%, a trajetória recente aponta para uma redução clara no ritmo de expansão.
A desidratação da produção não foi um movimento isolado. O levantamento indica que o recuo atingiu três das quatro grandes categorias econômicas e 17 das 25 atividades monitoradas. No detalhamento por segmento, os bens de capital — máquinas e equipamentos essenciais para o investimento — encolheram 1,9%. Bens de consumo semi e não duráveis caíram 1,2%, enquanto os bens intermediários, que servem de matéria-prima para outras indústrias, recuaram 0,7%. Na contramão, os bens de consumo duráveis conseguiram uma alta de 0,7%.
O peso maior do resultado negativo veio do setor de coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis, com queda de 4,2%. O processamento de cana-de-açúcar foi fortemente penalizado pelo excesso de chuvas, que travou o ciclo da produção de açúcar e álcool etílico. A fabricação de alimentos, outro pilar relevante, também sofreu, apresentando baixa de 1,7%.
Por outro lado, as indústrias extrativas evitaram um cenário ainda pior. O segmento cresceu 1,7%, impulsionado diretamente pela extração intensiva de óleos brutos de petróleo, minério de ferro e gás natural.
Ao confrontar o desempenho de setembro com o mesmo período do ano anterior, o recuo é ainda mais visível: 2,5%. Trata-se da maior queda anual desde março de 2024. Há fatores técnicos em jogo, como o efeito calendário, já que o mês teve um dia útil a menos que o ano anterior, além de uma base de comparação elevada, dado o salto de 2% observado em setembro de 2025.
No panorama de longo prazo, a situação ganha contornos mais severos. Com os números atuais, a produção industrial nacional permanece estacionada 16,5% abaixo do seu recorde histórico, alcançado em maio de 2011. A dúvida que fica, diante da sequência de quedas, é quanto tempo o setor levará para retomar o fôlego perdido nos últimos meses.
