Brasília (DF) – O ministro da Fazenda, Dario Durigan, confirmou que as diretrizes para a política fiscal do governo serão discutidas com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva apenas depois de seu retorno de uma agenda internacional, prevista para o dia 15 de novembro. O presidente cumpre compromissos na Turquia, onde participa da 31ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP31), e segue para atividades oficiais nas Filipinas.
A definição sobre os próximos passos da economia surgiu após um encontro no Palácio da Alvorada, em Brasília, que reuniu nomes do primeiro escalão, ex-ministros e especialistas. Embora o diagnóstico sobre os desafios, incluindo a pressão dos juros e o cenário externo, tenha sido compartilhado pelos presentes, nenhum ajuste específico foi batido o martelo neste momento.
“Não há fórmula mágica, apenas a necessidade de manter compromissos fiscais”, ponderou Durigan. O ministro explicou que ele e o titular do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti, ficarão responsáveis por formatar as propostas que serão apresentadas a Lula. A meta declarada é conciliar o equilíbrio das contas públicas com a manutenção das promessas sociais do governo para o mandato que se inicia em janeiro de 2027.
Enquanto o presidente estiver fora do país, Durigan pretende dar continuidade ao diálogo com diferentes setores. A rodada de conversas com empresários e representantes da sociedade civil deve ser ampliada nos próximos dias. A intenção, segundo ele, é imprimir transparência à construção dessa agenda de desenvolvimento, que busca garantir superávits nos anos vindouros.
A reunião contou com presenças como o vice-presidente Geraldo Alckmin, os ministros Miriam Belchior e Esther Dweck, além de figuras como Aloizio Mercadante e o ex-ministro Fernando Haddad. O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, chegou a ser convidado, mas não compareceu. O impedimento ocorreu devido ao período de silêncio estipulado pelo Comitê de Política Monetária (Copom), após a decisão sobre a taxa básica de juros na última quarta-feira (4).
O debate ganha contornos de urgência diante da trajetória da dívida pública, que alcançou 82,9% do Produto Interno Bruto (PIB) em setembro, somando R$ 11,1 trilhões. O salto é expressivo se comparado aos 71,7% registrados em dezembro de 2022. Esse cenário de endividamento influencia diretamente a Selic, que o Copom decidiu manter em 13,75% ao ano na última semana, interrompendo um ciclo de quedas.
Para o próximo domingo (8), a expectativa reside no pronunciamento oficial de Lula em rede nacional. Interlocutores adiantam que a fala deve reforçar o zelo com o rigor fiscal, sem antecipar medidas detalhadas, focando em como o governo pretende navegar o desafio de reduzir os juros enquanto preserva programas sociais durante o período de 2027 a 2030.
