São Paulo (SP) – O mercado financeiro atravessou uma quinta-feira de forte aversão ao risco, com investidores reagindo negativamente a uma onda de vendas que varreu Wall Street. O foco do estresse recaiu sobre as empresas de tecnologia e inteligência artificial, que sofreram quedas acentuadas e puxaram os índices para baixo, contagiando as negociações em diversos países, inclusive no Brasil.
Ao final do dia, o dólar comercial registrou alta de 0,67%, sendo cotado a R$ 5,488. O comportamento da moeda foi ditado pela busca por segurança diante da instabilidade externa, refletida no índice DXY — que mede a força do dólar frente a seis divisas principais — em leve alta de 0,09%, aos 101,560 pontos. O cenário de incerteza global sobreviveu aos desdobramentos das eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, com o mercado agora voltado para possíveis mudanças regulatórias no setor tecnológico.
Por aqui, o Ibovespa acompanhou o clima de cautela. Após flertar com a marca dos 169 mil pontos durante a manhã, o índice perdeu tração e encerrou o pregão em queda de 0,82%, aos 166.191,45 pontos. O giro financeiro totalizou R$ 31,16 bilhões, em uma sessão marcada pela volatilidade que levou o indicador a uma mínima de 166.249,09 pontos.
No front interno, a decisão do Copom de interromper o ciclo de cortes e manter a Selic em 13,75% ao ano figurou como fator central de atenção. O movimento do Banco Central somou-se às discussões sobre a política fiscal do governo Lula. Em meio a esse ambiente, o presidente reuniu ministros e conselheiros para debater os rumos econômicos do país. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, reforçou em declarações posteriores o compromisso do governo com a sustentabilidade das contas públicas e a melhora dos resultados primários, embora tenha evitado antecipar medidas específicas, mantendo o mercado em um estado de espera por detalhes concretos.
A fragilidade doméstica também apareceu nos dados da produção industrial, que recuou 0,8% em setembro na comparação com o mês anterior e 2,5% em doze meses, sinalizando um horizonte desafiador para a atividade econômica.
O ambiente internacional foi dominado pelas baixas em Nova York. O Nasdaq liderou as perdas, recuando 5,52% e fechando aos 24.315,00 pontos. O S&P 500 caiu 4,36%, para 7.353,73 pontos, enquanto o Dow Jones apresentou desvalorização de 3,44%, terminando em 51.523,06 pontos. O movimento foi concentrado em gigantes de tecnologia, semicondutores e datacenters, componentes que foram os pilares da euforia recente e agora exibem sinais de exaustão diante da correção de preços.
