O ativista brasileiro Thiago Ávila foi libertado pelas autoridades de Israel neste sábado, dia 9, após ter sido mantido sob custódia desde o mês passado. A informação foi confirmada pelo Centro de Direitos Humanos Adalah, organização jurídica que acompanha o caso, indicando que o brasileiro e o espanhol Saif Abu Kashek devem ser deportados para seus países de origem nos próximos dias.
Contexto da detenção e condições
Os dois ativistas foram detidos por forças israelenses durante a interceptação de um navio da Global Sumud Flotilla, que transportava alimentos e mantimentos essenciais para a população de Gaza. Segundo o comunicado do Adalah, os interrogatórios foram encerrados após um período em que os mantiveram em isolamento total. A organização denunciou que ambos sofreram condições punitivas e maus-tratos, apesar de estarem em uma missão estritamente civil. Desde o início da detenção, os ativistas realizavam greve de fome.
Repercussão política e jurídica
A soltura ocorre poucos dias após o Tribunal de Magistrados de Ashkelon prorrogar a prisão de Ávila até o dia 10 de maio. O caso gerou forte reação diplomática, com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva classificando a detenção como injustificável. O governo brasileiro, em conjunto com a Espanha, exigiu a garantia de integridade física dos detidos e a libertação imediata, argumentando que a abordagem em águas internacionais representou uma afronta ao direito internacional.
A missão humanitária
O navio que transportava Ávila foi interceptado no dia 30 de abril próximo à ilha de Creta, na Grécia. O brasileiro integrava um grupo de sete pessoas que representavam a delegação nacional na flotilha, a qual partiu de Barcelona em 12 de abril. Enquanto outros cem ativistas que participavam da mobilização em cerca de vinte barcos foram levados para a Grécia, Ávila e Abu Kashek foram conduzidos a Israel.
Histórico de abordagens
A ação contra a Global Sumud Flotilla não é um caso isolado envolvendo as forças israelenses. Em outubro do ano passado, militares abordaram outra embarcação da mesma organização, resultando na prisão de mais de 450 participantes. Na ocasião, o episódio ganhou visibilidade mundial ao incluir a ativista sueca Greta Thunberg entre os detidos. Agora, a expectativa é que os trâmites de imigração para o retorno de Thiago Ávila ao Brasil sejam concluídos sem novos incidentes.
