O Teatro Alberto Maranhão, localizado em Natal, abre suas portas nesta terça-feira, dia 12, às 19h30, para a apresentação do espetáculo Navio Negreiro. A montagem traz uma releitura musical da clássica obra de Castro Alves, o poeta baiano que imortalizou em versos o drama do sequestro e da escravização de populações africanas trazidas ao Brasil.
Uma releitura potiguar com foco social
A produção é assinada pela companhia teatral potiguar Monicreques, sob a direção de Clenor Júnior. O grupo retorna ao palco do histórico teatro natalense para propor uma reflexão sobre a travessia forçada dos africanos e os desdobramentos desse capítulo histórico na contemporaneidade. Além de resgatar o texto literário, o espetáculo utiliza o formato musical para debater temas fundamentais como racismo, violência nas periferias e a resistência da cultura negra no país.
Elenco e trilha sonora
Um dos diferenciais da montagem é o elenco composto por artistas da melhor idade. Na trama, eles interpretam um grupo de moradores de um retiro artístico que decide encenar a obra do chamado Poeta dos Escravos de maneira lúdica. A cantora Cida Lobo figura como um dos destaques do elenco, conduzindo canções que pontuam a força dos versos de Castro Alves e dão ritmo à narrativa crítica sobre a identidade brasileira.
A relevância histórica da obra
Escrito em 1868, quando Castro Alves tinha apenas 22 anos, o poema Navio Negreiro é um dos pilares da literatura abolicionista nacional. A obra foi estruturada em seis partes e surgiu cerca de duas décadas após a promulgação da Lei Eusébio de Queirós, que vetava o tráfico negreiro para o território brasileiro. Por meio de sua escrita, o autor não apenas denunciava as condições desumanas enfrentadas durante a travessia transatlântica, mas também alertava a sociedade da época sobre a persistência ilegal desse tráfico de seres humanos.
Os interessados em assistir ao espetáculo podem adquirir os ingressos diretamente na bilheteria do Teatro Alberto Maranhão. A proposta convida o público a um mergulho na história e na poesia que ajudaram a moldar a consciência social do Brasil.
