A taxa de desemprego entre pessoas pretas atingiu 7,6% no primeiro trimestre de 2026, superando a média nacional de 6,1% e ficando 55% acima do índice observado entre brancos, que foi de 4,9%. Os dados fazem parte da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua, a Pnad, divulgada nesta quinta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.
O cenário de desigualdade mostra um agravamento na comparação com o trimestre imediatamente anterior, quando a diferença era de 52,5%. Ao analisar a série histórica iniciada em 2012, nota-se que a disparidade atual é significativamente maior do que os 44,8% registrados no início do levantamento, embora ainda abaixo do pico de 69,8% ocorrido no auge da pandemia de covid-19, em 2020.
Desigualdade entre pardos e brancos
A disparidade também atinge a população parda, que apresentou uma taxa de desocupação de 6,8%, patamar 38,8% superior ao verificado entre os brancos. Embora esse índice seja menor do que o observado no último trimestre de 2025, a tendência histórica revela que o mercado de trabalho brasileiro mantém um desequilíbrio persistente baseado na cor ou raça dos trabalhadores.
O analista do IBGE, William Kratochwill, classifica a situação como um problema estrutural. Segundo o especialista, fatores como o nível de instrução e a região geográfica onde os indivíduos residem influenciam diretamente esses números. Contudo, o pesquisador ressalta que investigações mais profundas são necessárias para isolar as causas exatas dessa discrepância além da autoidentificação.
Informalidade e mercado de trabalho
A desvantagem de pretos e pardos reflete também na falta de garantias trabalhistas. A taxa média de informalidade no Brasil ficou em 37,3%, mas o recorte por raça revela que 40,8% dos pretos e 41,6% dos pardos ocupados estão na informalidade, enquanto entre os brancos o índice é de 32,2%. Esses trabalhadores atuam sem carteira assinada, direitos previdenciários ou benefícios como férias e 13º salário.
A Pnad, que utiliza a autoidentificação como critério, aponta que pardos compõem 45,4% da população com 14 anos ou mais, seguidos por brancos com 42,5% e pretos com 11,1%. Além das questões raciais, o levantamento indicou que o desemprego entre mulheres é 43,1% maior do que entre os homens, embora o público masculino apresente taxas superiores de informalidade.
Impacto da idade
O levantamento também detalhou o mercado de trabalho por faixa etária. Jovens entre 14 e 17 anos enfrentam a maior dificuldade, com uma taxa de desocupação de 25,1%, o que reflete a busca por uma primeira oportunidade profissional em ocupações instáveis. Em contrapartida, o grupo com 60 anos ou mais apresenta o menor índice, de 2,5%, indicando um movimento natural de saída do mercado ativo nessa etapa da vida.
