As exportações do Brasil para os Estados Unidos registraram uma queda de 11,3% em abril na comparação com o mesmo mês de 2025, atingindo o montante de 3,121 bilhões de dólares. Os dados foram divulgados nesta quinta-feira pela Secretaria de Comércio Exterior, órgão vinculado ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços. Em contrapartida, as vendas destinadas à China apresentaram um salto expressivo de 32,5% no mesmo período.
Impacto das tarifas
O desempenho negativo no mercado norte-americano marca o nono mês consecutivo de retração, reflexo direto da sobretaxa de 50% imposta pelo governo de Donald Trump em meados de 2025. Embora parte dos produtos tenha sido retirada da lista de punições no final do ano passado, o governo brasileiro estima que 22% dos itens exportados ainda sofram com tributos extras, que variam entre 40% e 50% conforme a categoria.
Apesar do cenário desfavorável, o diretor do Departamento de Estatísticas e Estudos de Comércio Exterior, Herlon Brandão, aponta sinais de uma retomada lenta. Pela primeira vez após vários meses, o volume de vendas para os Estados Unidos superou a marca de 3 bilhões de dólares, o que indica uma recuperação gradual do fluxo comercial entre os dois países.
Crescimento com a China
O cenário com o mercado chinês segue em trajetória oposta, com o Brasil atingindo 11,610 bilhões de dólares em exportações para o país asiático em abril. As importações brasileiras de produtos chineses também cresceram 20,7%, consolidando um superávit comercial favorável ao Brasil de 5,56 bilhões de dólares apenas no quarto mês do ano. No acumulado entre janeiro e abril, o saldo positivo com a China já soma 11,65 bilhões de dólares.
Movimentação do petróleo
O setor de petróleo bruto também entrou no radar das autoridades devido a uma queda no volume exportado, que recuou 10,6% em abril. Herlon Brandão esclareceu que o resultado não decorre do imposto de exportação criado pelo governo federal, mas sim da volatilidade de preços provocada pelo conflito no Irã. O diretor reforçou que o Brasil mantém alta competitividade no setor, amparado por baixos custos de produção e uma demanda internacional robusta, o que permite projetar um cenário mais positivo para os próximos meses.
