Washington, Estados Unidos – O anúncio feito pela gestão de Donald Trump na madrugada desta quinta-feira (16) desencadeou uma onda de críticas imediatas entre os principais representantes do setor industrial no Brasil. A imposição de uma sobretaxa de 25% sobre exportações brasileiras acendeu um alerta vermelho, com entidades de peso manifestando receio sobre o impacto direto na balança comercial e na sobrevivência de diversos segmentos da manufatura nacional.
A Fiesp, em nota oficial, classificou a medida como uma decisão de impacto unilateral que prejudica diretamente a posição do Brasil frente aos seus competidores internacionais. Para a entidade, o movimento limita o fôlego das empresas brasileiras no mercado norte-americano, ainda que tenha reiterado o desejo de manter o diálogo diplomático na tentativa de reverter ou ao menos suavizar o peso das novas tarifas por meio de isenções.
De Minas Gerais veio uma reação na mesma sintonia. A Fiemg destacou a relevância dos Estados Unidos como parceiro estratégico, alertando que o cenário atual exige cautela e serenidade nas relações internacionais. Segundo a federação mineira, a cooperação mútua é o único caminho viável para evitar que o protecionismo norte-americano comprometa a estabilidade industrial brasileira, um setor que já lida com gargalos internos significativos.
O presidente da CNI, Ricardo Alban, trouxe para o centro do debate a fragilidade dos números recentes. O setor industrial atravessa um trimestre difícil, com 20 dos 27 estados da federação apresentando queda nas exportações destinadas aos EUA entre janeiro e março. Na visão de Alban, a nova taxação atua como um elemento corrosivo que aprofunda esse declínio. O líder da confederação insistiu na necessidade de esforços urgentes para retomar a normalidade na relação bilateral, contornando a lógica de restrições que se impõe agora.
A medida entra em vigor no dia 22 de julho, atingindo bens que não compõem a chamada lista de exceções. O governo americano poupou da nova tarifa mais de 2 mil itens, privilegiando produtos essenciais ao abastecimento interno dos EUA ou que possuem baixa escala de produção local, como o café, o suco de laranja, a carne bovina e aeronaves. Para os exportadores brasileiros, no entanto, a margem de respiro é pequena diante de uma decisão que altera as regras do jogo comercial a pouco mais de um mês de sua implementação efetiva.
