Brasília (DF) – O desempenho das transações externas brasileiras em outubro surpreendeu ao alcançar o maior saldo positivo para o período desde 1989. Com um superávit de US$ 9,32 bilhões, o número representa um salto de 39,4% na comparação com o mesmo mês de 2025, quando o saldo foi de US$ 6,69 bilhões. O fluxo total de trocas — a corrente de comércio — também estabeleceu uma marca inédita para o mês, somando US$ 56,33 bilhões.
O motor dessa expansão foram as exportações, que subiram 20% e totalizaram US$ 31,51 bilhões. A indústria extrativa liderou o movimento, registrando um aumento de 53,5% em suas vendas, com destaque absoluto para o petróleo bruto, que teve alta de 122,6%, e minérios de metais, que dispararam 900,6%. O cenário geopolítico foi um componente-chave: o agravamento da guerra no Oriente Médio elevou os preços médios do petróleo em 36,7%, o que, somado à expansão da produção, impulsionou a receita brasileira.
No setor de transformação, o crescimento das vendas externas foi de 7,7%, influenciado pela comercialização de combustíveis e farelos de soja. Já a agropecuária, embora tenha visto um volume expressivo de embarques de soja e animais vivos, enfrentou variações pontuais devido a cronogramas de embarque, como o caso notável do centeio e da aveia.
O mapa das exportações mostrou resiliência. Mesmo em meio a tensões comerciais e aplicação de tarifas, os Estados Unidos compraram 11,4% a mais do Brasil, resultado de negociações que pouparam setores estratégicos como aviação e carne. A Europa, impulsionada pelo acordo com o Mercosul, também aumentou suas aquisições em 35,8%. A exceção foi o mercado chinês, onde houve retração de 5,3% devido ao encerramento de cotas para importação de carnes brasileiras.
Do lado das importações, que cresceram 14,8% para atingir US$ 24,82 bilhões, o peso maior recaiu sobre os combustíveis. Os preços desse segmento subiram 84,2%, forçando um gasto de US$ 4,5 bilhões. Por outro lado, a compra de bens de capital, como máquinas, manteve um ritmo de crescimento contido de 4%. O fenômeno reflete a atual conjuntura de juros elevados, que pressiona o custo do crédito e desencoraja novos investimentos da indústria.
Ao olharmos para o acumulado dos dez primeiros meses de 2026, o superávit chega a US$ 71,04 bilhões, um avanço de 34,1% ante 2025. Apesar dos números robustos, a projeção oficial para o fechamento do ano foi revista para baixo, passando de um saldo de US$ 90 bilhões para US$ 84,4 bilhões. Ainda assim, se confirmada, a marca será a segunda melhor de toda a série histórica, ficando atrás apenas do recorde de 2023.
