O judô nacional perdeu sua maior referência histórica nesta sexta-feira (16). Aos 85 anos, Chiaki Ishii faleceu sem que a causa da morte fosse informada. Sua trajetória deixou marcas indeléveis, sendo ele o responsável pelos primeiros pódios do país em competições de elite internacional: o bronze no Mundial de Ludwigshafen, em 1971, e a histórica medalha na Olimpíada de Munique, no ano seguinte.
Nascido em Ashikaga, no Japão, Ishii desembarcou no Brasil em 1964, aos 22 anos. A mudança ocorreu logo após ele ficar fora da seleção japonesa para os Jogos Olímpicos daquele ano. Em solo brasileiro, a adaptação incluiu um período de trabalho como agricultor em Presidente Prudente, no interior de São Paulo. A vida rural, contudo, não afastou o judoca dos tatames. Cinco anos após chegar ao país, ele oficializou sua naturalização brasileira, pavimentando o caminho para representar a nova pátria.
Além das conquistas olímpica e mundial, o currículo de Ishii ostenta quatro títulos em Jogos Pan-Americanos. Após encerrar a carreira competitiva, ele se tornou um formador de talentos. Em sua academia na Lapa, zona oeste de São Paulo, lapidou nomes como Walter Carmona e Rafael Silva, o Baby, ambos medalhistas olímpicos. O legado familiar também foi preservado: suas filhas, Tânia Chie e Vânia Yukie, seguiram o exemplo do pai e representaram o Brasil nas edições de Barcelona, Sidney e Atenas dos Jogos Olímpicos.
O reconhecimento pela dedicação ao esporte continuou ao longo das décadas. Membro do Hall da Fama do COB, ele recebeu em 2023 o Troféu Adhemar Ferreira da Silva, honraria destinada a atletas que construíram legados duradouros. Sua maestria foi reconhecida pela Confederação Brasileira de Judô com a graduação de Kodansha 9º Dan, a distinção mais elevada da modalidade no país.
A Confederação Brasileira de Judô expressou publicamente sua gratidão, destacando que a contribuição de Ishii transcende as medalhas penduradas na parede. Ao acreditar no potencial esportivo do Brasil e abrir caminhos para futuras gerações, ele se consolidou como uma peça central na identidade do judô brasileiro. A memória do pioneiro segue viva em cada judogi que hoje é vestido por atletas que, direta ou indiretamente, trilham os passos abertos pelo mestre japonês que se tornou brasileiro.
