Nova York, Estados Unidos – Duas décadas e meia depois, o colapso das torres gêmeas do World Trade Center continua gravado na retina coletiva do planeta. A fumaça escura cortando o céu de Nova York no dia 11 de setembro de 2001 estabeleceu uma espécie de marco zero para o século 21. O impacto dos aviões comerciais sequestrados por terroristas da Al Qaeda, que voavam a mais de 800 quilômetros por hora, resultou na morte de quase 3 mil pessoas e redesenhou a geopolítica global.
Memória coletiva e o tempo congelado
Para o professor Eugênio Bucci, da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (USP), a transmissão exaustiva daquelas imagens gerou um trauma global sem precedentes. Ele descreve o fenômeno como um “tempo congelado”, proporcionado pela televisão ao vivo em um período no qual a internet ainda engatinhava. Aquela repetição contínua de poucos segundos transformou-se em horas e dias de vigília, criando o que o professor chama de uma “ferida no olhar”, uma marca definitiva que faz com que quase qualquer pessoa no mundo se lembre exatamente de onde estava ao receber a notícia.
Quem estava perto do complexo financeiro carrega memórias ainda mais físicas do desastre. O empresário brasileiro Márcio Boruchowski, que trabalhava em um prédio vizinho ao World Trade Center na época, recorda que o aspecto mais marcante foi o som do desabamento. Ele relata ter visto pessoas saltando das janelas para escapar do fogo e descreve o ruído da queda de prédios com mais de cem andares como algo ensurdecedor, que durou pouco mais de um minuto e meio, mas que ecoa para sempre em sua mente.
O impacto físico imediato espalhou cerca de 1,8 milhão de toneladas de escombros pela ilha de Manhattan, uma montanha de destroços que exigiu cerca de oito meses de trabalho contínuo para ser removida. Estima-se que 400 mil pessoas tenham sido expostas à poeira tóxica resultante das explosões e desabamentos. Além do ataque em Nova York, a ofensiva terrorista atingiu o Pentágono, na Virgínia, e um quarto avião caiu em uma área rural em Shanksville, na Pensilvânia.
Justiça tardia e julgamentos pendentes
No campo judicial, a resposta aos atentados ainda caminha de forma lenta. Khalid Sheikh Mohammed, apontado como o mentor intelectual das ações e chefe de operações da Al Qaeda, tem seu julgamento por um tribunal militar agendado apenas para junho de 2028. Capturado no Paquistão em 2003, ele permanece detido na base militar de Guantánamo, em Cuba, desde 2006.
No mesmo processo, serão julgados os corréus Walid Muhammad Salih Mubarak bin ‘Atash, Mustafa Ahmed Adam al Hawsawi e Ali Abdul Aziz Ali. Enquanto isso, o líder fundador da Al Qaeda, Osama Bin Laden, foi localizado e morto por forças militares dos Estados Unidos em 2011, durante uma incursão em território paquistanês.
