Dallas, Estados Unidos – O cenário eleitoral de novembro trouxe um movimento de efeito imediato vindo da Casa Branca. Donald Trump subiu ao palco da convenção nacional republicana, realizada em Dallas, no Texas, com uma cartada financeira agressiva: a promessa de distribuir um dividendo de US$ 5 mil a cada cidadão adulto do país. O benefício, apelidado pelo presidente como “dividendo Trump”, estaria condicionado a uma vitória expressiva do partido na Câmara dos Representantes e no Senado.
A estratégia tenta injetar ânimo em uma base eleitoral que, segundo projeções correntes, encara um pleito hostil. As pesquisas indicam um risco real de os democratas conquistarem a maioria tanto na Câmara — que terá todos os assentos em disputa — quanto possivelmente no Senado. Uma derrota parlamentar reduziria drasticamente a capacidade de governabilidade de Trump nos dois anos finais de mandato, justamente em um momento em que sua aprovação popular despencou para patamares abaixo dos 35%.
Críticos democratas rapidamente desqualificaram a proposta, classificando-a como uma “promessa vazia” e questionando a viabilidade jurídica e o custo fiscal da medida, estimado em mais de US$ 1 bilhão. O presidente, por sua vez, insiste que o dinheiro deve circular exclusivamente dentro da economia norte-americana, atrelando a viabilidade do pagamento ao sucesso econômico recente do governo.
Em um discurso de duas horas, o tom de urgência prevaleceu. Trump pediu aos eleitores que encarassem as eleições de meio de mandato como um referendo à sua própria figura, mesmo sem estar na cédula. O recado foi apocalíptico: a vitória da oposição, descrita por ele como “esquerda radical”, levaria o país ao “inferno”, colocando em risco cortes de impostos, segurança nacional e a própria fronteira.
O conflito com o Irã também dominou parte da fala do presidente. Ao abordar as repercussões da guerra no Oriente Médio, que pressionam os mercados financeiros e elevam os preços da energia, Trump manteve a narrativa de que o confronto é uma necessidade estratégica para impedir a proliferação nuclear na região. Ele sinalizou que a queda nos preços do petróleo está atrelada ao desfecho do conflito, prometendo alívio aos consumidores assim que a vitória for consolidada.
Esta convenção em Dallas marca um precedente incomum, sendo a primeira reunião republicana dessa escala fora de um ciclo de disputa presidencial. Enquanto a mobilização ganha corpo, a expectativa agora se volta para o pronunciamento do vice-presidente, JD Vance, previsto para esta quinta-feira, que deve tentar consolidar a ofensiva política de Trump para manter o controle total do Congresso.
