Em menos de 48 horas desde o início dos ataques de Israel e Estados Unidos ao Irã, o cenário geopolítico do Oriente Médio se transformou de forma irreversível. Neste domingo (1º), a agência estatal iraniana ILNA confirmou a morte do ex-presidente Mahmoud Ahmadinejad, de 69 anos, nos bombardeios a Teerã. Na sequência, foram confirmadas também as mortes do líder supremo Ali Khamenei — no poder há 36 anos —, do secretário do Conselho de Defesa, contra-almirante Ali Shamkhani, e do comandante-chefe da Guarda Revolucionária Islâmica, major-general Mohammad Pakpour.
A eliminação simultânea da liderança política e militar de um Estado-nação é um evento sem paralelo recente na história contemporânea. O Irã, que construiu ao longo de décadas uma estrutura de poder centralizada na figura do líder supremo e na Guarda Revolucionária, enfrenta agora um vácuo institucional profundo — sem precedentes desde a própria Revolução Islâmica de 1979.
As implicações são múltiplas e difíceis de dimensionar. Quem assume o comando? Como reagem as facções internas do regime? Como respondem os grupos aliados ao Irã na região — Hezbollah, Houthis, milícias no Iraque? E como a comunidade internacional — especialmente China e Rússia, parceiros estratégicos de Teerã — vai se posicionar?
Do ponto de vista diplomático, a possibilidade de negociação sobre o programa nuclear iraniano, que já era remota antes dos ataques, praticamente inexiste agora. O conflito entrou em uma fase cujos contornos ainda não estão claros.
Ahmadinejad, que presidiu o Irã entre 2005 e 2013, tinha relações com o Brasil — visitou o país em 2009, reunindo-se com o então presidente Lula e defendendo a entrada brasileira no Conselho de Segurança da ONU.
A situação segue em desenvolvimento. Organizações, governos e empresas com qualquer exposição à região devem monitorar os desdobramentos com máxima atenção.
