Brasília (DF) – O cenário de acirramento na reta final da corrida presidencial motivou uma movimentação atípica no Tribunal Superior Eleitoral. O ministro Kássio Nunes Marques, que preside a corte, convocou para esta terça-feira (13), às 15h30, um encontro a portas fechadas com os responsáveis pelas estratégias digitais de Luiz Inácio Lula da Silva e do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). A meta central do magistrado é estabelecer um canal de cooperação capaz de frear a propagação de desinformação antes do pleito de 25 de outubro.
A tensão que culminou nesta convocação tem raízes em decisões conflitantes emitidas pela própria Corte Eleitoral. Há poucos dias, o ministro determinou, em caráter administrativo, que o canal “Exército do Lula” fosse retirado do ar no WhatsApp. O pedido partiu da equipe de Flávio Bolsonaro, sob a justificativa de que a plataforma estaria sendo usada para disparos de informações falsas contra o senador. O canal, vale notar, possui um alcance expressivo de 3,7 milhões de seguidores.
A calmaria durou pouco. Poucas horas depois da ordem de suspensão, o corregedor do TSE, ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, reverteu a medida. O entendimento de Cueva foi técnico: ele argumentou que a competência para tratar do tema não caberia a um procedimento administrativo, uma vez que o caso já tramitava em um processo judicial sob sua relatoria.
Em um desdobramento do episódio, Nunes Marques solicitou, no último fim de semana, uma análise urgente da área técnica da corte sobre o conteúdo disseminado pelo grupo, que é coordenado pelo deputado reeleito André Janones (Rede-MG). O relatório técnico final, entregue ao tribunal, não apontou a existência de notícias falsas, embora tenha registrado que parte do conteúdo original havia sido deletada pelos administradores.
Do outro lado, a campanha do ex-presidente Lula também engrossou o coro das críticas ao tribunal. Os representantes do petista questionam a dinâmica de funcionamento das plataformas geridas pela Meta. A reclamação foca em métricas de engajamento no Facebook e no Instagram. Segundo a campanha de Lula, os dados de interações, curtidas e compartilhamentos revelam uma desigualdade flagrante que, na visão deles, sinaliza um suposto favorecimento a Flávio Bolsonaro no ambiente digital.
A reunião desta tarde surge, portanto, como uma tentativa de pacificar os ânimos de uma campanha marcada pelo embate jurídico. Resta saber se o diálogo proposto por Nunes Marques será suficiente para evitar novos pedidos de liminares que, até aqui, têm gerado interpretações divergentes dentro do próprio tribunal.
