Nova Iguaçu (RJ) – A movimentação atípica de R$ 373 mil em uma única conta bancária ao longo de apenas seis meses acendeu o alerta que culminou em uma investida decisiva contra a engrenagem financeira de um grupo miliciano atuante na Baixada Fluminense. Agentes da Polícia Civil do Rio de Janeiro, em ação conjunta com o Ministério Público, saíram às ruas para cumprir mandados de busca e apreensão contra os integrantes da organização criminosa em Nova Iguaçu.
As investigações apontam que o bando é vinculado a Gilson Ingrácio de Souza Junior, o “Juninho Varão”. O grupo mantinha o controle sobre a rotina de moradores e comerciantes locais por meio de coerção contínua e cobranças arbitrárias. Entre as práticas impostas pela milícia estava a exigência do pagamento periódico de uma taxa pejorativamente batizada de “taxa de segurança”, cobrada de proprietários de estabelecimentos comerciais e de gestores de condomínios residenciais da região.
Monopólio coercitivo e controle de insumos
Além da cobrança direta de valores para permitir o funcionamento do comércio local, o grupo criminoso exercia um forte domínio sobre o mercado de insumos básicos na área sob seu domínio. Os residentes eram obrigados a comprar água e gelo unicamente de fornecedores indicados e autorizados pela própria organização, tolhendo qualquer liberdade de escolha do consumidor e garantindo o monopólio do faturamento para os paramilitares.
Foi durante o mapeamento desse ecossistema econômico ilegal que a polícia identificou movimentações bancárias desproporcionais. Um dos alvos investigados apresentou um fluxo financeiro totalmente incompatível com sua capacidade econômica declarada, registrando a transação de cerca de R$ 373 mil no curto intervalo de meio ano, o que evidenciou a força da arrecadação ilícita do grupo.
Mapeamento da estrutura e bloqueio judicial
O foco principal do trabalho policial nesta fase é reunir um acervo probatório robusto capaz de descortinar toda a estrutura operacional e financeira da milícia. As equipes buscam qualificar novos integrantes que atuam no suporte logístico e na coleta dos valores, esclarecendo de forma precisa tanto a origem exata das quantias quanto o destino final do dinheiro arrecadado nas extorções.
Outro ponto central da intervenção é conter a ganância territorial do bando, impedindo que a milícia expanda seu domínio coercitivo para outros bairros de Nova Iguaçu. Para sufocar as operações do grupo, a Justiça deferiu os pedidos dos investigadores para o bloqueio sumário de bens e valores, além de autorizar a quebra dos sigilos bancário, fiscal e telemático dos envolvidos no esquema.
