Bayeux (PB) – Mais de 250 famílias foram forçadas a deixar suas residências em uma comunidade de Bayeux, na Região Metropolitana de João Pessoa, sob a mira de armas de fogo. A situação, que se arrasta desde o ano passado, tornou-se o principal foco de uma força-tarefa da Polícia Civil da Paraíba em conjunto com o Grupo de Atuação Especial contra o Crime Organizado (GAECO) do Ministério Público estadual.
O objetivo central da mobilização é desarticular tanto a estrutura tática quanto a rede financeira que sustenta essa organização. Os agentes concentraram o cumprimento de 21 mandados de prisão e 25 ordens de busca e apreensão principalmente nos bairros Mário Andreazza e Mutirão. A estratégia, além de prender os responsáveis pelo terror imposto à população local, busca viabilizar a retomada e a devolução dos imóveis aos seus legítimos ocupantes.
A dinâmica do grupo envolvia um sistema organizado de domínio territorial. Após expulsar os moradores sob graves ameaças, os criminosos ocupavam as casas ilegalmente. O espólio dessas invasões incluía o saque de móveis e a venda dos bens deixados para trás. As apurações revelaram que essa prática não era isolada, mas parte de um esquema que engloba tráfico de drogas, agiotagem — com a tomada de imóveis como garantia — extorsão e lavagem de dinheiro, esta última realizada inclusive por transferências via PIX.
Um desdobramento relevante da investigação toca a administração municipal. A secretária de Assistência e Segurança Alimentar de Bayeux, Ivoneide de Araújo Silva, foi listada como investigada. De acordo com a corporação, o nome dela apareceu nos relatos colhidos junto às vítimas durante o processo de coleta de denúncias que deu origem ao inquérito.
Em nota oficial, a prefeitura local posicionou-se de maneira cautelosa, declarando confiar nas instituições encarregadas do caso. O comunicado ressalta que o governo municipal aguardará o desenrolar das apurações, reiterando o respeito ao trabalho das autoridades e a expectativa de que o devido processo legal esclareça a extensão dos fatos.
Até o momento, a Polícia Civil ainda não divulgou um balanço final sobre o número de detenções efetuadas ou a quantidade exata de moradias já reintegradas aos proprietários. As autoridades seguem nas ruas tentando mapear o alcance total do domínio social estruturado exercido pelo grupo, uma prática que se enquadra na Lei Antifacção.
