Brasília (DF) – O Ministério da Justiça e Segurança Pública revelou nesta quarta-feira (19) o balanço da operação Última Chamada, que resultou na recuperação de mais de 6 mil aparelhos celulares em todo o Brasil. A mobilização, que integrou polícias estaduais sob coordenação federal, focou diretamente em desarticular as redes de receptação e a comercialização ilegal de dispositivos subtraídos.
O sucesso da operação baseou-se no cruzamento de dados fornecidos pelo Banco Nacional de Celulares com Restrição. Além do expressivo volume de aparelhos recuperados, o esforço das forças de segurança gerou cerca de 100 prisões em flagrante, superou a marca de 200 fiscalizações diretas em pontos suspeitos e disparou mais de 33 mil notificações formais.
Essas notificações funcionam como um alerta jurídico para quem mantém a posse de um celular com registro de roubo ou furto. O objetivo é estimular a devolução voluntária antes que medidas mais incisivas, como mandados de busca e apreensão, sejam necessárias. Segundo o secretário nacional de Segurança Pública, Chico Lucas, modelos aplicados no Piauí e no Amazonas serviram de referência para a estratégia nacional.
O impacto da estratégia de notificação é desigual, mas revelador: enquanto no Piauí e no Amazonas a taxa de devolução voluntária supera os 50%, em outras regiões do país esse índice oscila entre 20% e 30%. O governo federal agora trabalha para transferir essa tecnologia de envio de mensagens e fluxos de fiscalização para outros estados, apostando na pressão psicológica da notificação para reduzir a demanda por aparelhos ilícitos.
Os números refletem uma mudança de cenário na segurança pública. Nos três primeiros meses de 2024, o total de avisos de roubo e furto de celulares no país foi de pouco mais de 215 mil registros, uma retração de 4,5% quando confrontado com o mesmo intervalo de 2023.
A ofensiva contra o mercado paralelo não se restringiu às ruas. Dentro do sistema penitenciário, a chamada operação Mute foi deflagrada em fases locais e nacionais, culminando na apreensão de mais de 2.200 aparelhos que estavam em posse de detentos. A meta agora é consolidar a integração entre os estados para sufocar a viabilidade econômica do roubo de telefones, tornando a receptação um negócio cada vez mais arriscado para o consumidor final.
