São João das Missões (MG) – O norte de Minas Gerais tornou-se o centro de uma ofensiva contra possíveis crimes eleitorais poucos dias depois do encerramento das votações. Uma ação coordenada pela Polícia Federal, que contou com o suporte da Procuradoria Regional Eleitoral e da Polícia Militar, deflagrou a operação Voto Limpo para investigar indícios de corrupção eleitoral na cidade de São João das Missões.
As diligências ganharam as ruas 48 horas após o fechamento das urnas, quando agentes cumpriram três mandados de busca e apreensão. A operação, chancelada pelo Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais, não se limitou apenas ao município onde as irregularidades teriam ocorrido. Equipes também realizaram buscas pessoais e intervenções em endereços situados em Januária.
O saldo imediato da ofensiva inclui a apreensão de aparelhos celulares e uma quantia em espécie que totaliza cerca de R$ 80 mil. Todo o material recolhido passará por perícia técnica nas próximas semanas para subsidiar o inquérito.
A investigação teve como ponto de partida denúncias relacionadas a dois eventos organizados no dia 3 de outubro, na véspera do pleito. Naquela ocasião, houve registros de distribuição gratuita de comida e bebidas. Os investigadores suspeitam que tais encontros tenham funcionado como uma fachada para a cooptação de eleitores e a troca por votos, prática que distorce a integridade do processo democrático.
A condução do caso apura a possível prática do crime de corrupção eleitoral, tipificado no Código Eleitoral como o ato de oferecer ou aceitar dinheiro, brindes ou qualquer outra vantagem em troca de voto ou para induzir à abstenção. Caso as suspeitas sejam confirmadas ao final do processo, os envolvidos podem enfrentar penas que alcançam quatro anos de reclusão, além da aplicação de multas pecuniárias.
