O silêncio que tomou conta das imediações do prédio da Diretoria de Inovação da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) contrasta com a força das chamas que, no início da noite anterior, consumiram anos de esforço científico. O incêndio de grandes proporções destruiu laboratórios estratégicos e interrompeu de forma abrupta pesquisas em andamento nas áreas de genética, tecnologia e propriedade intelectual. Apesar da gravidade do incidente, que mobilizou equipes de socorro de forma imediata, não houve registro de vítimas.
As atividades acadêmicas e administrativas no campus de Recife foram mantidas normalmente nesta quinta-feira (8). O reitor da instituição, Alfredo Gomes, explicou que o bloco atingido fica em um ponto relativamente afastado da área central onde se concentram as principais atividades cotidianas da universidade. Essa distância geográfica evitou um impacto ainda maior na rotina da comunidade acadêmica. Atualmente, a Superintendência de Infraestrutura da UFPE atua diretamente no local para garantir o isolamento total das ruínas e dar suporte aos trabalhos de rescaldo.
A partir de agora, os esforços se concentram em duas frentes distintas. De um lado, as equipes técnicas e administrativas iniciam o inventário para mensurar a perda de computadores, insumos e equipamentos de alta tecnologia que eram utilizados diariamente pelos pesquisadores. De outro, as autoridades competentes iniciam a perícia para determinar a extensão dos danos estruturais e identificar as causas que deram início ao fogo.
Contexto de mobilização e atos pelo país
O incidente na UFPE acontece em um momento em que a comunidade acadêmica se encontra altamente mobilizada. Apenas um dia antes de o fogo começar, estudantes da universidade realizaram uma manifestação expressiva em defesa do ensino público, de mais investimentos para o setor e em salvaguarda da democracia.
Essa mobilização em Pernambuco não é um fato isolado, mas parte de um cenário nacional que se reflete em outras capitais brasileiras. No Rio de Janeiro, por exemplo, uma grande manifestação percorreu a Avenida Rio Branco na última quarta-feira. O ato pró-Lula começou na altura da Candelária e seguiu até a Cinelândia, reunindo manifestantes que defendiam pautas sociais urgentes, como o fim da escala de trabalho 6×1, a manutenção de direitos trabalhistas históricos e a defesa das liberdades democráticas.
A tendência é que esse clima de protesto e debate se intensifique nos próximos dias por todo o território nacional. De acordo com informações do Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior, já estão agendadas assembleias e plenárias de mobilização em mais de 40 universidades públicas espalhadas pelo país, demonstrando que a tensão que ronda o ambiente acadêmico vai muito além das perdas materiais registradas no campus pernambucano.
