O ativista brasileiro Thiago Ávila desembarcou na noite desta terça-feira (11) no Aeroporto de Guarulhos, em São Paulo, após ser libertado de uma prisão em Israel. Ele integrava a Global Sumud Flotilla, uma missão de ajuda humanitária destinada ao povo palestino, e foi um dos sete brasileiros que estavam a bordo da frota. Embora o retorno estivesse previsto para o meio da tarde, Ávila permaneceu retido por horas nas dependências da Polícia Federal para prestar esclarecimentos, um procedimento que não foi adotado com outros integrantes do grupo.
Relatos de violência e tortura
Ao relatar os dias de confinamento, Ávila descreveu um cenário de terror psicológico e agressões físicas. O ativista afirmou ter sido mantido vendado e algemado em uma cela solitária, onde perdeu a noção de tempo e espaço. Segundo seu depoimento, ele sofreu agressões que o levaram ao desmaio em duas ocasiões. O brasileiro relatou ainda que, enquanto estava detido, era obrigado a ouvir sons de torturas aplicadas contra prisioneiros palestinos, prática que os agentes israelenses ironizavam diante dele.
Críticas ao Estado de Israel
Ávila reforçou sua posição crítica contra as ações militares israelenses, classificando o país como um Estado genocida. Ele destacou que a flotilha tinha como objetivo principal denunciar a crise humanitária em Gaza, região que enfrenta níveis de sofrimento sem precedentes, conforme apontado pela Organização das Nações Unidas. O ativista argumentou que a comunidade internacional é conivente com a situação, permitindo o tráfego de embarcações com insumos militares enquanto bloqueia a ajuda humanitária destinada a civis.
Contexto da missão humanitária
A jornada do grupo brasileiro teve início em 12 de abril, saindo de Barcelona. O ativista explicou que o desvio da rota original para Gaza, que levou a embarcação até a ilha de Creta, foi motivado pela necessidade de escapar de uma tempestade. Após a interceptação pelos militares, Ávila e o palestino-espanhol Saif Abukeshek foram separados dos demais tripulantes e transferidos para a Grécia. O ativista já projeta novas ações, mencionando que cerca de 50 embarcações devem partir da Turquia em breve para dar continuidade aos esforços de solidariedade.
Impasse no direito internacional
Durante sua fala, o militante mencionou a situação do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, que possui um mandado de prisão expedido pelo Tribunal Penal Internacional. Para Ávila, a impunidade de líderes globais envolvidos em conflitos reflete a fragilidade das instituições internacionais. O relato do brasileiro se soma a preocupações globais sobre a segurança de profissionais de saúde e civis em Gaza, onde a Organização Mundial da Saúde já registrou dezenas de ataques a unidades médicas e ambulâncias nos últimos meses.
