O governo federal iniciou nesta segunda-feira (4) a implementação do programa Antes que Aconteça, uma iniciativa voltada a fortalecer o combate à violência contra a mulher em todo o território nacional. A medida estabelece uma cooperação direta entre o Ministério Público e os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, abrangendo também as esferas estaduais, municipais e o Distrito Federal. O plano conta ainda com a colaboração de instituições científicas, do setor privado e de organizações da sociedade civil.
Expansão do atendimento humanizado
Um dos pilares do projeto é a multiplicação das Salas Lilás, que oferecem acolhimento humanizado e suporte para o encaminhamento de vítimas em órgãos de justiça e segurança. Esses espaços são essenciais para ampliar a rede de proteção, sobretudo em municípios que ainda não possuem as Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher, conhecidas como DEAMs. A presidente da ONG Recomeçar, Rosana Pierucetti, avalia que a medida representa um progresso significativo na segurança das vítimas durante a fase mais crítica da violência, destacando que os profissionais envolvidos precisam de preparo técnico e psicológico para lidar com o atendimento.
Serviços itinerantes e capacitação
O programa também institui unidades móveis para levar serviços de assistência jurídica, psicológica e social a comunidades remotas e escolas. Além de garantir o acesso facilitado, a estratégia inclui o treinamento de agentes públicos das áreas de saúde, educação, segurança e assistência social. Outra frente de atuação foca na criação de grupos de reflexão e recuperação voltados especificamente para agressores, buscando interromper o ciclo de abusos através da reeducação.
Redução de feminicídios
A estrutura de proteção será reforçada com o aumento do número de casas abrigo, que funcionam como refúgios temporários para mulheres e seus dependentes em situações de perigo iminente. O objetivo central é conter a escalada de crimes de gênero no país. O cenário exige medidas urgentes, visto que dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública revelam que 1.568 mulheres foram vítimas de feminicídio no Brasil durante o ano passado.
