São Paulo (SP) – O pontapé inicial dos confrontos televisivos na corrida pelo Palácio do Planalto em 2026 movimentou os bastidores políticos neste domingo (23). O primeiro debate presidencial do ano, organizado pelo Grupo Bandeirantes de Comunicação na capital paulista, expôs um cenário de fragmentação e estratégias distintas entre os postulantes ao cargo máximo do país. Enquanto uma parcela dos concorrentes preferiu a exposição direta na televisão, outros se dividiram entre atos religiosos, mobilizações de movimentos sociais e o silêncio de portas fechadas.
Presença e recuo nos estúdios paulistas
Apenas três candidatos decidiram encarar os púlpitos montados nos estúdios da emissora em São Paulo, às 20h. Estiveram presentes Augusto Cury (Avante), Renan Santos (Missão) e Ronaldo Caiado (PSD). O esvaziamento do estúdio acabou pesando na decisão de Romeu Zema (Novo). O governador mineiro, que começou o dia cedo ao comparecer à tradicional Missa da Penha, no Rio de Janeiro, às 6h20, optou por cancelar sua ida ao debate paulista justamente por causa da ausência dos demais adversários.
Mobilização nas ruas, na web e nos gabinetes
Nas ruas e nas redes sociais, a campanha tomou outros rumos. Hertz Dias (PSTU) usou o domingo para marcar presença na celebração dos 13 anos da Ocupação Esperança, organizada pelo movimento Luta Popular em Osasco, na Região Metropolitana de São Paulo. Ali, o candidato defendeu a criação de uma frente nacional de obras públicas focada na geração de postos de trabalho e na garantia de direitos sociais. O programa sugerido por ele inclui a construção de moradias populares, escolas, hospitais, creches, equipamentos urbanos e obras de saneamento básico.
No Nordeste, Samara Martins (UP) concentrou suas atividades em Fortaleza. A candidata conversou com jornalistas em uma entrevista coletiva na Ocupação Mulher Preta Simoa e, no fim da tarde, às 18h, participou de um ato político e cultural no Parque Raquel de Queiroz. Já Edmilson Costa (PCB) apostou no formato digital, programando uma transmissão ao vivo em formato de comentários em tempo real — o chamado react — sobre o debate da TV no canal do Poder Popular no YouTube.
Em trabalho de bastidor, Wilson Grassi (Democrata) dedicou as horas de domingo a reuniões internas de planejamento. A agenda do candidato foi focada exclusivamente no estudo, detalhamento e definição de propostas destinadas a complementar as diretrizes de seu plano de governo oficial.
Ausências e o peso das decisões judiciais
A lista de ausências nas ruas e nas telas, no entanto, foi expressiva. Os candidatos Clariana Barão (DC), Flávio Bolsonaro (PL), Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Rui Costa Pimenta (PCO) decidiram não realizar nenhuma atividade pública oficial de campanha ao longo de todo o domingo.
O dia de movimentações também foi impactado por restrições jurídicas severas. Fora do jogo eleitoral por determinação da Justiça, Pablo Marçal (PRTB) permaneceu impedido de pedir votos. Uma decisão recente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) barrou o candidato de realizar atos de campanha, comparecer a debates e participar do horário eleitoral gratuito no rádio e na televisão.
