Brasília (DF) – O cenário político ganhou um novo componente de pressão nesta terça-feira (20). O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que disputa a reeleição, formalizou junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) um requerimento que autoriza a quebra de seus sigilos bancário, fiscal e telefônico. A medida, contudo, tem um condicional claro: o mesmo deve ser feito por seu adversário no pleito marcado para este domingo (25), o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
A iniciativa materializa um desafio lançado por Lula durante o debate transmitido pela Band no último dia 18. O objetivo, segundo o documento entregue ao ministro Kássio Nunes Marques, presidente do TSE, é munir o eleitorado de informações antes da votação. A petição estabelece como data limite para essa transparência a próxima quarta-feira (21).
A abrangência do pedido é ampla. Caso o senador aceite o termo, a devassa incluiria os últimos oito anos de registros. No caso de Lula, a autorização se estende à primeira-dama, Janja Lula da Silva, e aos seus cinco filhos: Lurian Cordeiro, Marcos Cláudio, Fábio Luís, Sandro Luís e Luís Claudio. O texto reforça que o escrutínio alcançaria empresas das quais os envolvidos sejam sócios, administradores ou responsáveis financeiros. Sob esse critério, foi listada a L.I.L.S. Palestras, Eventos e Publicações.
Do lado oposto, o requerimento exige que Flávio Bolsonaro exponha não apenas seus dados, mas também os de sua esposa, Fernanda, de seus pais — o ex-presidente Jair Bolsonaro e a suplente de deputada federal Rogéria Bolsonaro — e de seus irmãos Carlos, Eduardo e Jair Renan. O documento aponta ainda cinco pessoas jurídicas que teriam vinculação com o parlamentar, incluindo uma offshore.
Durante um ato de campanha realizado em São Luiz, o presidente reforçou o tom do desafio. Questionando a disposição do adversário em seguir o mesmo caminho, ele afirmou que a medida serve para que a sociedade identifique quem possui histórico de irregularidades. A estratégia busca levar a pauta da integridade financeira para o centro da reta final da campanha, colocando a decisão sobre a transparência nas mãos do senador bolsonarista.
Resta agora saber como a defesa de Flávio Bolsonaro reagirá à petição protocolada na corte eleitoral. A celeridade exigida por Lula coloca o cronograma do TSE sob um foco de tensão, visto que o prazo estipulado para a divulgação dos dados expira em menos de 24 horas a partir da entrega do requerimento.
