São Paulo (SP) – O início da noite da última segunda-feira (19) foi marcado por protestos na zona oeste de São Paulo, onde centenas de pessoas se reuniram diante das sedes da Meta e do Google. Sob o lema “Meta, não se meta”, os manifestantes cobraram mudanças na gestão de conteúdos e denunciaram o que classificam como censura seletiva e falta de transparência por parte das gigantes de tecnologia.
Veronica Gimenez, programadora e integrante da ONG TravaHacker, foi uma das vozes que puxaram a organização do ato. Para ela, a demanda por transparência é urgente, já que essas plataformas tornaram-se pilares fundamentais do debate público nacional. A reivindicação inclui a criação de mecanismos efetivos de monitoramento e a exigência de relatórios detalhados sobre as operações das empresas. Além disso, o debate tocou em questões de soberania digital, com críticas severas ao poder que essas corporações exercem sobre sistemas de governo e grandes volumes de dados.
A tensão entre as plataformas e a sociedade civil também se manifesta em episódios de descumprimento de decisões judiciais. O ativista Thiago Torres Santos, conhecido como Chavoso da USP, relatou estar banido de redes sociais há 11 meses, mesmo possuindo uma liminar favorável que determina seu retorno. Segundo ele, o comportamento das empresas revela uma postura política clara, que vai na contramão dos interesses da população.
Entre as pautas centrais do protesto, destacaram-se a falta de salvaguardas para grupos minoritários, a propagação de discursos de ódio por algoritmos e uma suposta desigualdade no impulsionamento de publicações voltadas ao espectro político da direita.
A pressão, contudo, não ocorre apenas nas ruas. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) tornou-se palco de disputas envolvendo as duas principais frentes da corrida presidencial. Recentemente, a corte atendeu a um pedido da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que busca explicações sobre um possível desfavorecimento de seus conteúdos. Uma queixa de teor semelhante foi apresentada pela campanha de Flávio Bolsonaro, sinalizando que a insatisfação com as regras das plataformas atravessa diferentes matizes ideológicos.
Neste cenário, o ministro Marco Aurélio Bellizze determinou um prazo de 24 horas para que a Meta comprove a adoção de medidas que garantam a isonomia na entrega de anúncios de campanha e na distribuição de publicações políticas. Em posicionamento oficial, a Meta justificou que oscilações no acesso a grupos e na circulação de conteúdos decorrem da complexidade das normas eleitorais vigentes e do tempo necessário para os protocolos internos de verificação.
