Belo Horizonte é o berço de Samara Martins Feitosa, a aposta do Unidade Popular (UP) para a sucessão presidencial. Aos 38 anos, a cirurgiã-dentista, graduada pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte, traz para a disputa um histórico que vai além da atuação técnica no Sistema Único de Saúde (SUS). Sua trajetória política começou cedo, ainda nos corredores do movimento estudantil, onde integrou a Associação Metropolitana dos Estudantes Secundaristas da Grande Belo Horizonte (AMES-BH) e ocupou cargos de diretoria voltados às questões femininas na União Nacional dos Estudantes (UNE).
A composição da chapa para o próximo pleito traz Raquel Brício como candidata a vice-presidente. A estrutura da candidatura não é estranha ao cenário eleitoral recente. Samara não é um nome novo no primeiro escalão do partido, tendo figurado como vice de Leonardo Péricles na disputa pelo Palácio do Planalto em 2022. Naquela ocasião, a dupla ganhou destaque por representar a única candidatura presidencial composta exclusivamente por pessoas negras.
O alinhamento programático da candidata reflete as diretrizes do Unidade Popular. O partido, nascido em 2016 com uma postura declaradamente anticapitalista, pauta seu projeto no que define como poder popular e na transição para o socialismo. A UP mantém laços estreitos com frentes de mobilização social focadas na defesa da juventude e dos direitos da população negra, além de priorizar o combate às desigualdades estruturais que favorecem as camadas mais ricas da sociedade brasileira.
A aposta na candidatura de Samara Martins reafirma a estratégia da legenda em pautar temas como o fortalecimento do SUS e a crítica ao sistema econômico vigente. Resta observar como essa narrativa, construída desde os tempos de militância secundarista, será recebida pelo eleitorado em um momento de debate sobre o futuro do país.
