O vírus sincicial respiratório, conhecido pela sigla VSR, detém números que impõem um alerta severo ao sistema de saúde. Ele é o agente causador de 80% das bronquiolites e de uma parcela significativa, chegando a 60%, das pneumonias diagnosticadas em crianças com menos de dois anos. Diante da urgência do cenário, a Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) deu início à campanha intitulada Todos contra o VSR – Proteção desde o Início, esforço que visa informar gestantes e a população geral, além de atualizar as diretrizes de profissionais da linha de frente.
Os dados epidemiológicos justificam a mobilização. O Ministério da Saúde contabilizou, apenas neste ano, 21.398 casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) atrelados ao vírus, com um registro de 246 óbitos. O impacto é concentrado nos primeiros anos da infância: do total de registros, 17.081 ocorreram em crianças abaixo de dois anos, faixa etária que concentrou 109 das mortes notificadas.
Isabella Ballalai, diretora da SBIm e coordenadora da ação, defende que a proteção deve ser garantida no início da vida, período em que a vulnerabilidade é acentuada. Estatísticas indicam que mais de 50% das internações causadas pelo VSR ocorrem nos dois primeiros meses de vida, subindo para dois terços quando o recorte alcança o primeiro trimestre.
A estratégia de defesa divide-se em duas frentes. A primeira envolve a vacinação de gestantes a partir da 28ª semana, o que permite a transferência passiva de anticorpos para o feto, blindando o bebê logo após o parto. A segunda estratégia atende recém-nascidos e crianças menores de dois anos por meio do uso de anticorpos monoclonais, uma medida vital para prematuros e grupos com maior suscetibilidade.
Para conferir um caráter humano à campanha, a entidade reuniu relatos em vídeo, incluindo depoimentos de mães que enfrentaram as complicações do vírus em seus filhos e contribuições de médicos, como Dráuzio Varella. A proposta é transformar uma sigla clínica em uma percepção de risco real, promovendo empatia e reforçando o papel da prevenção.
O Programa Nacional de Imunizações (PNI) disponibiliza hoje a vacina para grávidas e o imunizante monoclonal para prematuros de até 6 meses e crianças com comorbidades específicas. No entanto, a SBIm defende uma ampliação do acesso, sugerindo a aplicação também em prematuros no primeiro ano de vida e em crianças menores de dois anos sem histórico de doenças prévias, mediante avaliação do pediatra.
A iniciativa conta com suporte institucional de peso, incluindo a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), a Unicef, a Federação das Associações Brasileiras de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), a Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), o Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems) e a ONG Prematuridade.com.
