Brasília (DF) – Pacientes adultos que convivem com a hipertensão arterial pulmonar (HAP) em estágios avançados podem ter em breve uma nova alternativa terapêutica disponível pelo Sistema Único de Saúde. A Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec) iniciou uma consulta pública para coletar opiniões de médicos, especialistas e da sociedade civil acerca da incorporação do medicamento sotatercepte.
O processo decisório gira em torno de critérios técnicos específicos. A fabricante da droga solicitou a inclusão para atender pacientes classificados nas categorias III ou IV da Organização Mundial da Saúde (OMS), que apresentam risco de mortalidade entre intermediário e alto. O protocolo proposto contempla dois cenários: o uso em pacientes que já fazem terapia tripla — associado ao esquema atual — ou para aqueles em terapia dupla que manifestam intolerância às prostaciclinas.
Diferente de abordagens convencionais, o sotatercepte atua diretamente sobre o mecanismo de proliferação celular nos vasos sanguíneos. Em quadros de HAP, essa via molecular apresenta desregulação, provocando um estreitamento crítico dos vasos pulmonares que dificulta a passagem do sangue.
A HAP é classificada como uma condição rara, crônica e progressiva. O impacto no cotidiano do paciente é severo, limitando drasticamente a capacidade funcional. O diagnóstico impõe um aumento constante da pressão arterial nos vasos que conectam o coração aos pulmões, forçando o ventrículo direito a trabalhar sob estresse constante para bombear o fluxo sanguíneo.
Esse esforço cardíaco prolongado tem consequências físicas imediatas e visíveis. O paciente frequentemente relata episódios de falta de ar, fadiga excessiva, tonturas, dores torácicas e desmaios, sintomas que restringem a realização de tarefas básicas de rotina. Sem o devido controle, a sobrecarga ao músculo cardíaco tende a evoluir para quadros de insuficiência, elevando perigosamente o risco de morte.
As manifestações e sugestões técnicas devem ser enviadas à comissão até a próxima quinta-feira, dia 17. O resultado desta consulta pública será determinante para que a Conitec avalie se o benefício clínico do sotatercepte justifica sua chegada à rede pública nacional.
