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Febre do Nilo Ocidental acende alerta em São Paulo após primeiros registros em humanos
Saúde

Febre do Nilo Ocidental acende alerta em São Paulo após primeiros registros em humanos

Última atualização: 26 de Agosto, 2026 13:56
Por
Erre Soares
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4 Min Leia
📷 MS/Divulgação
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São Paulo (SP) – O estado de São Paulo registrou, pela primeira vez em sua história, casos de febre do Nilo Ocidental em seres humanos, acendendo as luzes de monitoramento da saúde pública no país. Duas pacientes paulistas foram diagnosticadas recentemente: uma mulher de 34 anos em Ribeirão Preto, que apresentou os sintomas após viajar para a região amazônica e já se recuperou, e uma jovem de 18 anos em São José do Rio Preto, que permanece internada sob cuidados médicos. Apesar do ineditismo na região, especialistas apontam que o cenário exige atenção e vigilância, mas não justifica pânico.

A doença, embora nova no território paulista, é uma velha conhecida na África, onde foi identificada há cerca de nove décadas. O médico infectologista Furtado da Costa, do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, esclarece que a grande maioria das infecções é assintomática ou muito leve. Estatísticas indicam que apenas 20% das pessoas infectadas chegam a manifestar sinais da enfermidade, quase sempre de forma branda. Menos de 1% dos infectados desenvolve quadros graves, com risco de complicações neurológicas como meningite ou encefalite.

Provocada por um arbovírus pertencente à mesma família da dengue, da zika, da chikungunya e da febre amarela, a infecção tem dinâmica própria de transmissão. O vírus circula essencialmente entre aves e mosquitos do gênero Culex — os populares pernilongos ou muriçocas. O homem entra no ciclo de forma acidental, quando picado por um inseto que antes se alimentou de uma ave doente. Costa frisa que a mera proximidade com aves não é sinônimo de perigo, mas recomenda que mortandades atípicas desses animais sejam investigadas.

Sinais de alerta e manejo clínico

Quando a doença se manifesta, os sintomas iniciais assemelham-se aos de outras viroses comuns: febre, dor de cabeça, mal-estar, dor muscular, náuseas e falta de apetite. Em alguns pacientes, podem surgir manchas avermelhadas na pele, dores oculares e gânglios inchados. Sinais neurológicos mais severos, como tremores, convulsões, confusão mental ou rebaixamento da consciência, exigem socorro médico imediato.

Por se tratar de uma doença sem vacina disponível ou terapia antiviral específica para seres humanos, o manejo clínico é direcionado ao alívio dos sintomas. Repouso absoluto e hidratação rigorosa formam a base da recuperação. Nos raros quadros graves, o suporte médico em unidades de terapia intensiva, com reposição de fluidos por via intravenosa e suporte respiratório, torna-se necessário.

Cenário epidemiológico nacional

O monitoramento da enfermidade vai além das fronteiras paulistas. Conforme dados do Ministério da Saúde, Santa Catarina confirmou dois casos da doença, dos quais um resultou em morte. Há ainda uma infecção provável sob análise no Piauí. Em São Paulo, equipes das vigilâncias municipais e estaduais realizam investigações de campo para rastrear os locais prováveis de infecção e determinar as ações preventivas adequadas. Tatiana Lang D’Agostini, diretora do Centro de Vigilância Epidemiológica Prof. Alexandre Vranjac, destacou que o trabalho visa orientar as ações de prevenção e mapear a circulação do vírus.

MARCADOArbovírusepidemiologiaFebre do Nilo OcidentalSão PauloSaúde Pública
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