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Pesquisas clínicas no Brasil avançam seis posições em ranking global após novo marco legal
Saúde

Pesquisas clínicas no Brasil avançam seis posições em ranking global após novo marco legal

Última atualização: 15 de Outubro, 2026 18:21
Por
Erre Soares
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4 Min Leia
📷 Roche/Divulgação
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San Jose, Costa Rica – O ambiente de testes científicos no país vive um momento de forte expansão. Entre 2025 e o primeiro semestre de 2026, o Brasil saltou da 18ª para a 12ª posição no ranking mundial de pesquisas clínicas, motivado pelo vigor da Lei 14.874. A projeção de especialistas e representantes farmacêuticos reunidos no fórum Saúde como Investimento, realizado entre 6 e 8 de outubro em San Jose, na Costa Rica, é alcançar em breve o top 10 global, impulsionado por aportes previstos de mais de R$ 2 bilhões anuais.

Sancionada em maio de 2024 e regulamentada pelo governo federal em outubro de 2025, a chamada Lei de Pesquisa Clínica levou quase ten anos em tramitação no Congresso Nacional. Antes restrito a diretrizes pontuais do Conselho Nacional de Saúde e da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), o setor ganhou regras definitivas. Com a criação do Sistema Nacional de Ética em Pesquisa com Seres Humanos, o fluxo burocrático foi reorganizado: a emissão do parecer ético agora tem limite de 30 dias úteis, enquanto a validação da Anvisa deve ocorrer em até 90 dias úteis.

Agilidade nas etapas e atração de recursos

A principal mudança operacional foi a possibilidade de realizar as análises ética e sanitária de forma simultânea. Em testes multicêntricos — aqueles conduzidos em diferentes cidades ao mesmo tempo —, a checagem por um único comitê acreditado simplificou trâmites que antes levavam mais de um ano. A desburocratização manteve o rigor regulatório da Anvisa e abriu espaço para o recebimento de ensaios de Fase 1 e Fase 2, focados na segurança inicial dos compostos. Apenas a multinacional Roche prevê aplicar R$ 590 milhões por ano no país em estudos voltados para Alzheimer, Parkinson, câncer de mama, lúpus e novas terapias para obesidade.

Descentralização e integração regional

Os investimentos também visam descentralizar a infraestrutura de inovação, historicamente concentrada no Sul e no Sudeste. Ao capacitar laboratórios e equipes nas regiões Norte e Nordeste, o setor ganha acesso à vasta diversidade genética e social da população. Esse movimento atua em sintonia com o Programa Nacional de Inovação em Saúde, lançado em julho pelo governo federal para aproximar a produção científica das necessidades do Sistema Único de Saúde (SUS).

O desafio de estruturar a área de testes repercute em toda a América Latina. Para Mario Urcuyo, diretor estratégico da Fundação de Pesquisa e Inovação da Costa Rica, qualificar os centros regionais é indispensável para criar carreiras específicas e diminuir a dependência em relação aos Estados Unidos e à Europa. Na mesma linha, a pesquisadora Fedra Irazoque, do Centro Médico Nacional 20 de Novembro, do México, defende uma harmonização regulatória entre os países latinos, lembrando que os voluntários participantes — mesmo os do grupo de controle — recebem os melhores tratamentos disponíveis antes de migrarem para a nova molécula em teste.

MARCADOinovação em saúdeinvestimentos farmacêuticosLei 14.874pesquisa clínicaSaúde Pública
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