A balança marca menos, mas o preço cobrado do organismo pode ser alto. Os medicamentos conhecidos como canetas emagrecedoras, embora eficientes contra a obesidade, escondem uma armadilha silenciosa quando utilizados sem o devido acompanhamento: a perda acelerada de massa muscular e a escassez de nutrientes essenciais no corpo.
O endocrinologista Marcio Mancini, membro da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) e coordenador na Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica (Abeso), explica que esses fármacos — da classe dos agonistas do receptor GLP-1 — provocam saciedade precoce e lentidão no esvaziamento gástrico. Com o estômago cheio por mais tempo, o paciente come muito menos, abrindo espaço para a desnutrição.
Ajuste no prato e metas de proteína
Para o especialista, o foco do tratamento não deve se limitar à redução das porções, mas sim à qualidade do que se ingere. Em pequenas refeições, a densidade nutricional precisa ser máxima. Mancini estabelece metas claras: cerca de 1,2 grama de proteína por quilo diariamente para jovens saudáveis, subindo para 1,5 grama por quilo ao dia para idosos ou pessoas propensas à sarcopenia.
Controlar a perda de massa magra exige monitoramento rigoroso. Exames como bioimpedância clínica e densitometria de corpo inteiro em laboratório ajudam nesse rastreamento, além do teste de força de preensão manual (hand grip). O limite tolerável de perda muscular é de até 25% do peso total eliminado.
Sintomas de alerta e estratégias de prevenção
A automedicação ou a falta de acompanhamento costumam se manifestar de forma incômoda. Queda de cabelo, fios enfraquecidos e problemas gastrointestinais de forte impacto — como náuseas intensas, prisão de ventre, gases e estufamento — são queixas recorrentes nos consultórios.
Para mitigar esses efeitos, algumas táticas alimentares são recomendadas: fracionar as refeições ao longo do dia, priorizar as proteínas logo no início da refeição, evitar gorduras que estimulam enjoos e caprichar na ingestão de fibras e água.
Os sinais de desnutrição que exigem atenção imediata incluem a perda de força física no cotidiano e alterações em exames de sangue, apontando baixa de potássio, magnésio, ferro e das vitaminas D e B12. A rejeição completa à comida e a perda do prazer de comer também indicam que a dosagem do medicamento pode estar excessiva.
Mancini reforça que o sucesso a longo prazo depende de uma abordagem multidisciplinar, unindo endocrinologista, nutricionista e educador físico. Esse suporte fez toda a diferença para a mentora de mulheres Amanda Vila Nova. Com o devido acompanhamento médico e reposição vitamínica adequada, ela alcançou o emagrecimento sem sofrer com unhas quebradiças ou queda de cabelo.
