O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, estabeleceram o prazo de 30 dias para que representantes da indústria e do comércio de ambos os países cheguem a um consenso sobre tarifas comerciais. O anúncio ocorreu nesta quinta-feira, 7, em Washington, após uma reunião na Casa Branca que durou cerca de três horas e focou na resolução de impasses bilaterais.
Negociações comerciais
O objetivo do grupo de trabalho é dirimir divergências sobre a tributação de produtos. Enquanto o governo americano argumenta que o Brasil aplica taxas elevadas, o lado brasileiro sustenta que a média tarifária é de 2,7%, embora reconheça que setores específicos atingem 12%. A determinação é que as equipes técnicas apresentem uma solução definitiva, na qual o lado que estiver em desvantagem ou praticando taxas desproporcionais deverá ceder.
Apesar das tensões comerciais, o encontro foi marcado por um tom amistoso. Donald Trump classificou a reunião como produtiva por meio de suas redes sociais, onde se referiu a Lula como um líder dinâmico. O presidente brasileiro destacou a importância do diálogo pessoal, afirmando que a construção de uma relação diplomática próxima é fundamental para os interesses das duas nações, especialmente considerando o déficit comercial brasileiro de 20 a 30 bilhões de dólares registrado frente aos Estados Unidos em 2025.
Geopolítica e segurança
Lula aproveitou a ocasião para pontuar divergências em relação à postura bélica de Trump, defendendo que o diálogo é superior ao conflito armado. O presidente brasileiro manifestou preocupação com a situação no Irã e na Venezuela, além de relatar ter recebido a garantia de que não haverá uma invasão americana a Cuba. Ele reforçou a necessidade de encerrar o bloqueio econômico à ilha, defendendo a soberania cubana.
Crime organizado e sanções
No campo da segurança pública, os dois líderes discutiram o combate ao crime organizado transnacional. Lula propôs a criação de um grupo de trabalho focado no tráfico de armas e na lavagem de dinheiro, ressaltando que parte do armamento apreendido no Brasil é originário dos Estados Unidos. O presidente brasileiro descartou, contudo, a classificação imediata de facções criminosas como grupos terroristas.
Por fim, o impasse sobre a Lei Magnitsky, que impõe sanções a brasileiros acusados de violações graves, permanece sem resolução. Lula entregou a Trump uma nova lista com os nomes dos cidadãos sancionados, buscando uma revisão das restrições de entrada e das punições econômicas impostas pelos americanos.
